Salmos (Sl)
Autor:
Davi, Asafe, filhos de Coré e outros Data: entre 1000 e 300 aC
Autor
O Livro de
Salmos é uma compilação de diversas coleções antigas de cânticos e poesias
próprias para o uso tanto no culto congregacional quanto para a devoção
particular. Em algumas coleções, os compiladores antigos reuniram a maior
parte dos maravilhosos cânticos de Davi. Em outras, eles coletaram salmos de
uma variedade de autores, como Moisés, Asafe, Hemã, os filhos de Corá,
Salomão, Etã e Jedutum. Muitos são de fonte desconhecida. Os estudiosos
judeus os chamam de “salmos órfãos”.
Data
O salmos, considerados
individualmente, podem ter sido escritos em datas que vão desde o êxodo até
a restauração depois do exílio babilônico. Mas as coleções menores parecem
haver sido reunidas em períodos específicos da história de Israel: o reinado
do rei Davi (1Cr 23.5); o governo de Ezequias (2Cr 29.30); e durante a
liderança de Esdras e Neemias (Ne 12.24). Esse processo de compilação ajuda
a explicar a duplicação de alguns salmos. Por exemplo 14 é similar ao 53.
O Livro dos Salmos foi editado em sua forma atual, embora com diversas
variações, na época em que a Septuaginta Grega foi traduzida do hebraico,
alguns séculos antes do advento de Cristo.
Os texto Ugaríticos, quando contrastados com os recentes escritos do mar
Morto, mostram que as imagens, o estilo e o paralelismo de alguns salmos
refletem um vocabulário e estilo cananeus muito antigos. Assim, o Livro dos
Salmos reflete o culto, a vida devocional e o sentimento religioso de cerca
de mil anos da história de Israel.
Conteúdo
O título hebraico deste livro,
Sepher Tehillim, significa “Livro de Louvores”. Os títulos gregos,
Psalmoi ou Psalterion, denotam um poema que deve ser acompanhado por um
instrumento de cordas. Entretanto, o Saltério contém mais do que cânticos
para o templo e hinos de louvor. Ele inclui elegias, lamentações, orações
pessoais e patrióticas, petições, meditações, instruções, antífonas
histporicas e tributos em acrósticos sobre temas nobres.
Em sua forma final no cânon das Escrituras, o Livro dos Salmos é subdividido
em cinco livros menores. Cada livro é uma compilação de diversas coleções
antigas de cânticos e poemas. Uma doxologia apropriada foi colocada pelos
editores no final de cada livro. No livro I (Sl 1-41), a maioria dos
cânticos são atribuídos a Davi. O Livro II (Sl 42-72) é uma coleção de
cânticos por, de, ou para os filhos de Corá, Asafe, Davi e Salomão; nessa
coleção, quatro escritos permanecem anônimos. O Livro III (Sl 73-89) é
marcado por uma grande coleção de cânticos de Asafe. Asafe foi o chefe dos
cantores do rei Davi (1Cr 16.4-7). Embora a maioria dos salmos no Livro IV
(Sl 90-106) não tenha os seus autores citados, Moisés, Davi e Salomão
colaboraram também. No Livro V (Sl 107-150) registram-se vários cânticos de
Davi. A série de cânticos chamada de Hallel Egípcio (Sl 113-118) também está
no Livro V. Os cânticos finais nesse livro (Sl 146-150) são conhecidos como
o “Grande Hallel”. Cada cântico começa e termina com a exclamação hebraica
de louvor, “Hallelujah!”.
Títulos informativos são encontrados no começo de muitos dos salmos. A
preposição hebraica usada em muitos títulos pode ser traduzida de três
maneiras: “a”,”para”, e “de”. Ou seja, “dedicado a”, “para o uso de” e
“pertecente a”. Todos os títulos que descrevem a situação histórica do salmo
tratam da vida de Davi. Os salmos 7, 34, 52, 54, 56, 57, 59 e 142 referem-se
aos eventos ocorridos durante o problemático relacionamento de Davi com
Saul; o salmos 3, 18, 51, 60 e 63 cobrem o período em que Davi reinou sobre
Judá e Israel.
Outros títulos precedentes aos salmos referem-se aos instrumentos usados no
acompanhamento; à melodia ou música apropriada; que parte do coral deve
guiar (por exemplo, soprano, tenor, baixo); ou que tipo de salmo é (por
exemplo: meditação, oração). Alguns dos significados destas anotações
musicais e litúrgicas são hoje desconhecidas.
Poesia Hebraica. Em lugar de rima de sons, a poesia e o cântico hebraicos
são marcados pelo paralelismo, ou rima de idéias. A maioria dos paralelismo
são dísticos que expressam pensamentos sinônimos em cada linha (36.5).
Outros são antíteses, em que a segunda linha expressa a negativa da linha
precedente (20.8). Também há dísticos construtivos ou sintéticos, os quais
tendem a adicionar ou a fortalecer um pensamento (19.8,9). Alguns poucos
paralelismos são causais, apresentando a justificativa da primeira linha
(31.21). Às vezes, o paralelismo envolve três linhas (1.1), quatro (33.2,3)
ou mais linhas.
O Espírito Santo em Ação
O livro dos Salmos e os princípios
de culto que eles refletem atendem à alma do homem e ao coração de Deus,
pois são produto da obra do ES. Davi, o principal colaborador do livro dos
Salmos, foi ungido pelo ES (1Sm 16.13). Essa unção não foi apenas pra o
reinado, mas para o oficio de profeta (At 2.30); e as suas afirmações
proféticas foram feitas pelo poder do ES (Lc 24.44; At 1.16). Na verdade, as
letras desses cânticos foram compostas por inspiração do Espírito (2Sm
23.1,2), como também os planos de escolher maestros e corais com orquestras
de acompanhamentos (1Cr 28.12,13).
Portanto, os Salmos são únicos e imensamente diferente das obras de
compositores seculares. Ambas podem refletir a profundidade da agonia
experimenta pelo espírito humano atormentado, com toda a sua comoção, e
expressar a alegria extasiante da alma libertada, mas apenas os Salmos
chegam a um plano superior através da unção criativa do ES.
Relatos específicos mostram que o ES opera criando vida (104.30); que
acompanha fielmente os crentes (139.7); que guia e instrui (143.10); que
sustém o penitente (51.11-12); e que interage com o rebelde (106.33).
Esboço de Salmos
I. Livro I 1.1-41.13
Cânticos introdutórios 1.1-2.12
Cânticos de Davi 3.1-41.12
Doxologia 41.13
II. Livro II 42.1-72.20
Cânticos dos filhos de Corá 42.1-49.20
Cânticos de Asafe 50.1-23
Cânticos de Davi 51.1-71.24
Cânticos de Salomão 72.1-17
Doxologia 72.18,19
Versículo de conclusão 72.20
III. Livro III 73.1-89.52
Cânticos de Asafe 73.1-83.18
Cânticos dos filhos de Corá 84.1-85.13
Cânticos de Davi 86.1-17
Cânticos dos filhos de Corá 87.1-88.18
Cânticos de Etã 89.1-51
Doxologia 89.52
Cânticos de ação de graças 107.1-43
Cânticos de Davi 108.1-110.7
Hallel Egípcio 111.1-118.29
Cânticos Alfabético sobre a lei 119.1-176
Cânticos dos degraus 120.1-134.3
Cânticos anônimos 135.1-137.9
Cânticos de Davi 138.1-145.21
Cânticos “Louvai ao Senhor” 146.1-149.9
Doxologia 150.1-6
Provérbios (Pv)
Autor:
Salomão, Agur e rei Lemuel Data: Cerca de 950 aC
Autor
Salomão, rei de Israel, era filho
de Davi e de Bate-Seba. Ele reinou por quarenta anos, de 970 a 930 aC,
assumindo o trono quando tinha cerca de vinte anos de idade.
Sem dúvida influenciado pelos Salmos escritos por seu pai, Salomão nos
deixou mais livros do que qualquer outro escritor do AT, excetuando-se
Moisés. Parece provável que Cantares de Salomão tenha sido escrito quando
ele era um jovem romântico; Provérbios, quando estava mais maduro e no auge
de seu poder; Eclesiastes, quando já estava mais idoso, mais inclinado a
conclusões filosóficas— e talvez mais cínico. Se poder não se mostrava em
campos de batalha, mas no domínio da mente: meditação, planejamento,
negociação e organização.
A reputação de Salomão para a sabedoria provém não apenas de seus resultados
práticos, como no caso da disputa de um bebê (1Rs 3.16-27), mas também de
declarações diretas das Escrituras. Em 1Rs 3.12 Deus diz: “Eis que te dei um
coração tão sábio e entendido, que antes de ti teu igual não houve, e depois
de ti teu igual se não levantará.” Em 1Rs 4.31 ele é considerado “mais sábio
do que todos os homens”, seguindo um citação de vários nomes de homens
sábios para comparação.
A respeito de Agur e do rei Lemuel (301; 31.1) nada se sabe, exceto que,
pelos seus nomes, não são israelitas. A sabedoria é universal, não nacional.
Data
Uma vez que o Livro de Pv é uma
compilação, sua composição estendeu-se por um longo período, com a obra
principal datada de cerca de 950 aC. Os caps. 25-29 são identificados como
transcritos pelos “homens de Ezequias”, o que situa a cópia em cerca de 720
aC, embora o material em si fosse de Salomão, talvez retirado de um
documento separado encontrado no tempo de Ezequias.
Conteúdo
Sob a liderança de
Salomão, Israel alcançou sua maior extensão geográfica e desfrutou da menor
violência de todos o período monárquico. “Pacifico”, o significado de seu
nome, descreve o reinado de Salomão. E paz, com sabedoria, trouxe
prosperidade sem precedentes para a nação, o que se tornou motivo de
respeito e admiração para o rainha de Sabá (1Rs 10.6-9) e pra outros
governantes da época. Palavras sábias, como música ou outras formas de arte,
tendiam a florescer em tal época, e então durar pelas gerações seguintes.
O livro de Pv não é apenas uma coleção de provérbios, mas uma coleção de
coleções. Seu pensamento ou tema unificador é: “O temor do SENHOR é o
princípio da sabedoria” (9.10), aparecendo de outra maneira como: “O temor
do SENHOR é o principio (ou parte principal) da ciência” (1.7). Dentre a
diversidade de exemplos, algumas verdades se repetem:
A sabedoria (a habilidade de julgar e agir conforme
as orientações de Deus) é o mais valioso dos bens.
A Sabedoria está disponível para qualquer um, mas o preço é alto.
A Sabedoria tem sua origem em Deus, não na própria pessoa e vem por meio
da atenção à instrução.
A Sabedoria e a justiça andam juntas. É bom ser sábio, e é sábio ser
bom.
O homem mau sofre as conseqüências de seus atos maus.
O ingênuo, o tolo, o preguiçoso, o ignorante, o orgulhoso, o libertino e
o pecador nunca devem ser admirados.
Muitos contrastes se repetem ao longo do livro. A
antítese ajuda a clarear o sentido de muitas palavras-chaves. Entre várias
ideias que são colocadas em contraste estão:
Sabedoria em oposição a Loucura
Justiça em oposição a Impiedade
Bem em oposição ao Mal
Vida em oposição a Morte
Prosperidade em oposição a Pobreza
Honra em oposição a Desonra
Permanente em oposição a Transitório
Verdade em oposição a Falsidade
Ação em oposição a Preguiça
Amigo em oposição a Inimigo
Prudência em oposição a Precipitação
Fidelidade em oposição a Adultério
Paz em oposição a Violência
Boa Vontade em oposição a Ira
Deus em oposição ao Homem
O Espírito Santo em Ação
O ES não é mencionado diretamente
no Livro de Pv. Mas a sabedoria se refere ao seu espírito (1.23), que é, sem
dúvida, o ES. De fato, um ponto principal do livro é que a sabedoria sem
Deus é impossível; assim, nesse sentido, seu espírito tem destaque em toda
parte. No entanto, a palavra predominante traduzida por “espírito” no livro
tem quase sempre o sentido de “atitude” ou “comportamento”, nunca implicando
uma personalidade.
Em nosso época, um tempo de ação especial do ES, é o Espírito que nos ajuda
a garimpar as riquezas de Pv, mais do que Pv nos ajuda a entender o
Espírito. Foi dito a respeito do AT e do NT. “O Novo está encoberto no
Antigo; o Antigo está revelado no Novo”.
No caso do Livro de Pv, o Espírito Santo no NT demonstra como a sabedoria do
Livro (que vem apenas através da justiça) é colocada em prática.
Esboço de Provérbios
I. Introdução 1.1-7
Título, propósito e introdução 1.1-6
Tema ou lema 1.7
II. Avisos de um pai e advertências da Sabedoria 1.8-8.36
Avisos de um pai, parte um 1.8-19
Advertências da Sabedoria, parte um 1.20-33
Avisos de um pai, parte dois 2.1-7.27
Advertências da Sabedoria, parte dois 8.1-36
III. O caminho da Sabedoria em oposição ao caminho da
Loucura 9.1-18
IV. Provérbios de Salomão e palavras do sábio 10.1-29.27
Provérbios de Salomão— primeira coleção 10.1-22.16
Palavras do sábio— primeira coleção 22.17-24.22
Palavras do sábio— segunda coleção (pelos homens de Ezequias) 25.1-29.27
V. Provérbios de Agur 30.1-33
A vida de moderação temente a Deus 30.1-14
As maravilhas da vida observadas sobre a terra 30.15-31
A insensatez do orgulho e da ira 30.32,33
VI. Provérbio do rei Lemuel 31.1-31
Conselhos de uma mãe para um filho nobre 31.1-9
Um poema acróstico sobre a esposa perfeita 31.10-31