Ester (Et)
Autor: Desconhecido Data: Cerca de 465 aC
Autor
O nome do autor é desconhecido. Mas o livro foi escrito por um
judeu que conhecia os costumes e a linguagem dos persas. Talvez Mardoqueu ou
Esdras tenha sido o autor.
Data
O livro de Ester é uma narração bem elaborada, que relata como o
povo de Deus foi preservado da ruína durante o séc. V aC.
O livro toma seu nome de uma mulher judia, bela e órfã, que tornou-se rainha
do rei persa Assuero. Acredita-se que este rei tenha sido Xerxes I, que
sucedeu Dario I, em 485 aC, e governou 127 províncias, desde a Índia até a
Etiópia, durante vinte anos. Viveu em Susã, a capital persa. Naquela época,
certo número de judeus ainda se encontrava na Babilônia sob o governo persa,
embora tivesse liberdade para retornar a Jerusalém (Et 1-2) há mia de
cinqüenta anos. A história se desenrola num período de quatro anos,
iniciando no terceiro ano do reinado de Xerxes.
Conteúdo
Ester é um estudo da sobrevivência do povo de Deus em meio à
hostilidade. Hamã, o homem mais importante depois do rei, deseja a
aniquilação dos judeus. Ele manipula o rei para que execute os judeus. Ester
é introduzida em cena e Deus faz uso dela para salvar seu povo. Hamã é
enforcado; e Mardoqueu, líder dos judeus no Império Persa, se torna primeiro
ministro. A festa de Purim é instituída para marca a libertação dos judeus.
Um aspecto peculiar no Livro de Ester é que o nome de Deus não é mencionado.
No entanto, vestígios de Deus e seus caminhos transparecem em todo o livro,
especialmente na vida de Ester e Mardoqueu. Da perspectiva humana, Ester e
Mardoqueu foram as duas pessoas do povo menos indicadas pras desempenhar
funções importantes na formação da nação. Ele era um judeu benjamita
exilado; ela era prima órfã de Mardoqueu, adotada por este (2.7). A
maturidade espiritual de Ester se percebe na virtude dela saber esperar pelo
momento que Deus julgou adequado, para, então, pedir ao rei a salvação do
povo e denunciar Hamã (5.6-8; 7.3-6). Mardoqueu também revela maturidade
para aguardar que Deus lhe indicasse a ocasião correta e lhe orientasse. Em
conseqüência, ele soube o tempo certo de Ester desvendar sua identidade
judaica (2.10). Esta espera divinamente orientada provou se crucial (6.1-14;
7.9,10) e comprova a base espiritual do livro.
Finalmente, tanto Ester quanto Mardoqueu temiam a Deus, não a homens.
Independentemente das conseqüências, Mardoqueu recusou-se a prestar honras a
Hamã. Ester arriscou sua vida por amor do seu povo quando foi ao rei sem ter
sido convidada. A missão de Ester e Mardoqueu sempre foi salvar a vida que o
inimigo planejava destruir (2.21-23; 4.1-17; 7.1-6; 8.3-6) Como resultado,
conduziram a nação à liberdade, foram honrados pelo rei e receberam
autoridade, privilégios e responsabilidades.
O Espírito Santo em Ação
Embora não se mencione diretamente o ES, sua ação produziu em
Ester e Mardoqueu profunda humildade, conduzindo-os ao amor mútuo e à
lealdade (Rm 5.5)
O ES também dirigiu e fortaleceu Ester para jejuar pelo seu povo e pedir que
este fizesse o mesmo. (Rm 8.26,27).
Esboço de Ester
I. Uma nova rainha é escolhida 1.1-2.17
O rei Assuero mostra seu poder e celebra uma festa
1.1-8
A rainha Vasti e deposta 1.9-22
Ester é escolhida para ser rainha 2.1-18
II. A vida do rei é salva 2.19-23
Mardoqueu descobre uma conspiração 2.19-21
Ester informa o rei 2.22-23
III. É feito um plano contra os judeus 3.1-4.17
Hamã planeja destruir os judeus 3.1-15
Mardoqueu persuade Ester a intervir 4.1-14
Ester solicita a ajuda de Mardoqueu 4.15-17
IV. Mardoqueu é exaltado 5.1-6.14
Ester prepara um banquete 5.1-8
Hamã planeja destruir Mardoqueu 5.9-14
Hamã é forçado a honrar Mardoqueu 6.1-14
V. Hamã é enforcado 7.1-10
Ester revela sua identidade e expõe Hamã 7.1-6
Hamã e enforcado na forca preparada para Mardoqueu 7.7-10
VI. Os judeus são salvos 8.1 –9.17
Ester leva seu pedido ao rei 8.1-6
O rei emite um decreto a favor dos judeus 8.7-17
Os judeus derrotam seus inimigos 9.1-17
VII. A Festa de Purim é estabelecida 9.18-10.3
Os judeus celebram o primeiro Purim 9.18-32
O rei eleva Mardoqueu 10.1-3
Jó (Jó)
Autor: Incerto (Moises ou
Salomão) Data: Não especificada ( do séc. V ao II aC)
Autor
A autoria de Jó é incerta. Alguns eruditos atribuem o livro a
Moisés. Outros atribuem a um dos antigos sábios, cujos escrito podem se
encontrados em Provérbios ou Eclesiastes. Talvez o próprio Salomão tenha
sido seu autor.
Data
Os procedimentos, os costumes e o estilo de vida geral do livro
de Jó são do período patriarcal (cerca de 2000-1800 aC). Apesar dos
estudiosos não concordarem quanto à época em que foi compilado, este texto é
obviamente o registro de uma tradição oral muito antiga. Aqueles que
atribuem o livro a Moisés, acham que a história surgiu lá pelo séc. XV aC.
Ouros acham que surgiu lá pelo séc. II aC. A maior parte dos conservadores
atribuem Jó ao período salomônico, pela metade do séc. X aC.
Conteúdo
A própria Escritura atesta que Jó foi uma pessoa real. Ele é
citado em Ez 14.14 e Tg 5.11. Jó era um gentil. Acredita-se que era
descendente de Naor, irmão de Abraão. Conhecia Deus pelo nome de “Shaddai” -
o Todo Poderoso. (Há 30 referências a Shaddai no Livro de Jó). Ele era um
homem rico e levava um estilo de vida siminômade.
O Livro de Jó tem sido chamado de “poema dramático de uma história épica”.
Os caps 1-2 são um prólogo que descreve o cenário da história. Satanás
apresenta-se ao Senhor, junto com os filhos de Deus, e desafia a piedade de
Jó, dizendo: “Porventura, teme Jó a Deus debalde?” (1.9). Vai mais longe e
sugere que se Jó perdesse tudo o que possuía, amaldiçoaria a Deus. Deus dá
licença a satanás para provar a fé que tinha Jó, privando-o de sua riqueza,
da sua família e, finalmente, da sua saúde. Mesmo assim, “em tudo isto não
pecou Jó com os seus lábios” (2.10). Jó, então, é visitado por três amigos—Elifaz,
o temanita; Bildade, o suíta e Zofar, o naamatita; que ficam impressionados
pela deplorável condição de Jó que permanecem sentados com Jó durante sete
dias sem dizer uma só palavra.
A maior parte do livro é composta por três diálogos entre Jó e Zofar,
seguidos pelo desafio de Eliú a Jó. Os quatro homens tentam responder a
pergunta: “ Por que sofre Jó?” Elifaz, argumentando a partir da sua
experiência, declara que Jó sofre porque pecou. Argumenta que aqueles que
pecam são punidos. Como Jó está sofrendo, obviamente pecou. Bildade,
sustentando sua autoridade na tradição, sugere que jó é um hipócrita. Também
ele faz a inferência de que se os problemas vieram, então Jó deve ter
pecado. “Se fores puro e reto, certamente, logo despertará por ti” (8.6).
Zofar condena Jó por verbosidade, presunção, e pecaminosidade, concluindo
que Jó está recebendo menos do que merece: “Pelo que sabe Deus exige de ti
menos do que merece a tua iniqüidade” (11.6)
Os três homens chegam basicamente à mesma conclusão: o sofrimento é
conseqüência direta do pecado, e a iniqüidade é sempre punida. Argumentam
que é possível avaliar o favor ou desfavor de Deus a alguém pela
prosperidade ou adversidade material. Assumem erroneamente que o povo pode
compreender os caminhos de Deus sem levar em conta o fato de que as bênçãos
e a retribuição divina podem ir além da vida presente.
Na sua resposta aos seu amigos, Jó reafirma a sua inocência, dizendo que a
experiência prova que tanto o justo como o injusto sofrem, e ambos desfrutam
momentos de prosperidade. Lamenta o seu estado deplorável e as sua tremendas
perdas, expressando a sua tristeza em relação a eles por acusarem-no em
lugar de trazer-lhe consolo.
Depois que os três amigos terminam, um jovem, chamado Eliú, confronta-se com
Jó, que prefere não responder suas acusações. O argumento de Eliú pode ser
resumido desta maneira: Deus é maior do que qualquer ser humano, isso
significa que nenhuma pessoa tenha o direito ou autoridade de exigir uma
explicação dele. Argumenta que o ser humano não consegue entender algumas
coisas que Deus faz. Ao mesmo tempo, Eliú sugere que Deus irá falar se
ouvirmos. A sua ênfase está na atitude do sofredor, ou seja, uma atitude de
humildade levará Deus a intervir. Essa é a essência da sua mensagem: em vez
de aprender com o seu sofrimento, Jó demonstra a mesma atitude dos ímpios
para com Deus, e esta é a razão pela qual ainda está sofrendo aflição. O
apelo de Eliú a Jó é: 1) ter fé verdadeira em Deus, em vez de ficar pedindo
explicação. 2) Mudar a sua atitude para uma atitude de humildade.
Não se deve concluir que todas as objeções dos amigos de Jó representem tudo
o que se pensava de Deus durante aquela época. Na medida em que a revelação
da natureza de Deus foi se fazendo conhecida através da história e das
Escrituras, descobrimos que algumas dessas opiniões eram incompletas.
Evidentemente, isso não faz com que o texto seja menos inspirado, antes nos
dá um relato inspirado pelo ES dos incidentes como realmente aconteceram.
Quando os quatro concluíram, Deus respondeu a Jó de dentro de um remoinho. A
resposta de deus não é uma explicação dos sofrimentos de Jó, mas, através de
uma série de perguntas, Deus procura tornar Jó mais humilde. Quando relemos
a fala de Deus através do remoinho, tiramos três conclusões a respeito do
sofrimento de Jó: 1) não aparece a intenção de se revelar a Jó a causa dos
seus sofrimentos. Deus não podia, provavelmente, explicar alguns aspectos do
sofrimento humano, no momento em que acontece, sem o risco de destruir o
próprio objetivo que esse sofrimento é destinado a cumprir. 2) Deus se
envolve com a realidade do ser humano: Jó e o seu sofrimento são suficientes
que Deus fale com ele. 3) o propósito de Deus também era o de levar Jó a
abrir mão da sua justiça própria, da sua defesa própria e sabedoria
auto-suficiente, de forma que pudesse buscar esses valores em Deus.
O Espírito Santo em Ação
Eliú, em seu debate com Jó , faz três declarações significativas
sobre o papel do ES no relacionamento do povo com Deus. Em 32.8, declara que
o nível de compreensão de uma pessoa não está relacionada à sua idade ou
etapa de vida, mas é antes o resultado da operação do Espírito de Deus. O
Espírito é o autor da sabedoria dando a cada um a capacidade de conhecer e
tirar lições pessoais das coisas que acontecem na vida. Assim, conhecimento
e sabedoria são bênçãos do Espírito aos homens.
O Espírito de Deus é também a fonte da própria vida (33.4). Se não fosse
pela influência direta do Espírito, o homem como nós o conhecemos não teria
chegado a existir. Assim foi na criação original do homem, e assim continua
sendo. Eliú declara que a sua própria existência dá testemunho do poder
criador do Espírito. O Espírito de Deus é o Espírito da vida.
Como o Espírito de Deus dá vida e sabedoria ao homem, ele também é essencial
à própria continuidade da raça humana. Se Deus tivesse que desviar a sua
atenção para outro lugar, se tivesse que retirar o seu Espírito-que-dá-vida
deste mundo, certamente a história humana chegaria ao seu fim (34.14,15). A
intenção de Eliú é deixar claro que Deus não é caprichoso nem egoísta, pois
cuida do ser humano, sustenta-o de forma constante pela abundante presença
do seu Espírito. Dessa forma, o Espírito Santo no livro de Jó é o criador e
mantenedor da vida, conferindo –lhe significado e racionalidade.
Esboço de Jó
Introdução 1.1-2.13
Jó é consagrado e rico 1.1-5
Satanás desafia o caráter de Jó 1.6-12
Satanás destrói as propriedades e os filhos de Jó 1.13-22
Satanás ataca a saúde de Jó 2.1-8
Reação da esposa de Jó 2.9,10
A visita dos amigos de Jó 2.11-13
I. Diálogo entre Jó e os seus três amigos 3.1-26.1
Clamor de desespero de Jó 3.1-26
Primeiro diálogo 4.1-14.22
Segundo diálogo 15.1-21.34
Terceiro diálogo 22.1-26.14
II.Discurso final de Jó aos seus amigos 27.1-31.40
III. Eliú desafia Jó 32.1-37.24
IV. Deus responde de um remoinho 38.1-41.34
V. A resposta de Jó 42.1-6
VI. Parte histórica final 42.7-17