Levítico
Autor: Tradicionalmente
Moisés Data: Cerca de 1445 a.C.
Autor
O Livro de Levítico é o terceiro livro das Escrituras Hebraicas
do AT atribuídos a Moisés. Em 1.1, o texto se refere à palavra do Senhor,
que foi proferida a Moisés do tabernáculo da assembléia; isso forma a base
de todo este livro das Escrituras. Os sacerdotes e levitas preservaram seu
conteúdo.
Data
Os sábios datam o Livro de Levítico da época das atividades de
Moisés (datando mais antigamente no séc. XV aC e a última alternativa no
séc. XII aC) até a época de Esdras, durante o retorno (séc.VI aC). A
aceitação da autoria mosaica para Levítico dataria sua escrita por volta de
1445 aC. O livro descreve o sistema de sacrifícios e louvor que precede a
época de Esdras e relembra a instituição do sistema de sacrifícios. O livro
contém pouca informação histórica que forneceria uma data exata.
Contexto Histórico
A teologia do Livro de Levítico liga a idéia de santidade à vida
cotidiana. Ela vai além do assunto de sacrifício, embora o cerimonial do
sacrifício e a obra dos sacerdotes sejam explicados com grande cuidado. O
conceito de santidade afeta não somente o relacionamento que cada indivíduo
tem com Deus, mas também o relacionamento de amor e respeito que cada pessoa
deve ter com o seu próximo. O código de santidade permeia a obra porque cada
indivíduo deve ser puro, pois Deus é puro e porque a pureza de cada
indivíduo é a base da santidade de toda a comunidade do concerto. O
ensinamento de Jesus Cristo—”Portanto, tudo o que vós quereis que os homens
vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mt
7.12)- reflete o texto de Lv 19.18, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
Conteúdo
Em hebraico, o Livro de Levítico recebeu o nome de Vayikra,
que significa “E ele chamou”. O título hebraico é tirado da primeira
palavra do livro, que era uma forma costumeira de dar nome às obras antigas.
O título “Levítico “ é derivado da versão grega da obra e significa
“assuntos pertencentes aos levitas”. O título é um pouco enganoso, uma vez
que o livro lida com muito mais assuntos relacionados à pureza, santidade,
todo o sacerdócio, a santidade de Deus e a santidade na vida cotidiana. A
palavra “santo” aparece mais de oitenta vezes no livro.
Algumas vezes, o Livro de Levítico tem sido encarado como uma obra de
difícil compreensão; entretanto, de acordo com a tradição primitiva, foi o
primeiro livro a ser ensinado para as crianças na educação judaica. Ele lida
com o caráter e a vontade de Deus especialmente em assuntos de santidade,
que os sábios judeus consideravam de importância primária. Eles sentiram
que, antes de proceder a outros texto bíblicos, as crianças deveriam, antes
de mais nada, ser educadas sobre a santidade de Deus e a responsabilidade de
cada indivíduo pra viver uma vida santa. A Santidade (hebr. Kedushah)
é uma palavra-chave em Levítico, descrevendo a santidade da presença divina.
A santidade está sendo separada do profano, e santo é oposto do comum ou
secular.
Outro tema principal do Livro de Levítico é o sistema sacrificial. Os
holocaustos (hebr.olah) referem-se ao único sacrifício que é
totalmente consumido sobre o altar e, portanto, algumas vezes é chamado de
oferta queimada. As ofertas de manjares (hebr. Minchah) são uma
oferta de tributo feita a fim de garantir ou manter o favor divino,
indicando que os frutos do trabalho de uma pessoa devem ser dedicados a
Deus. Os sacrifícios de paz ou das graças (hebr.shelamim) são
designados para fornecer expiação e permitem que a pessoa que faz a oferta
como da carne do sacrifício. Isso costumava acontecer em ocasiões de
alegria. O sacrifício pelos erros (hebr.chatta’t) é empregado para
tirar a impureza do santuário. O sacrifício pelo sacrilégio (hebr. Asham),
também conhecido como oferta pela culpa ou oferta de compensação, é
preparado para a violação da santidade da propriedade de Deus ou de outras
pessoas, normalmente pelo uso de um falso testemunho. Os erros profanaram a
santidade de Deus e é exigida uma oferta.
Além dos sacrifícios, o calendário litúrgico tem uma posição significativa
no Livro de Levítico. O Ano de Descanso refere-se à emancipação dos escravos
israelitas e pessoa endividadas, bem como à redenção da terra (ver também Ex
21.2-6; 23.10,11; Dt 15.1-18). O Ano de Jubileu refere-se ao fato de que as
terras de Israel, bem como o povo, pertencem a Deus e não a qualquer
indivíduo. As terras, portanto, devem ter um descanso depois de cada período
de quarenta e nove anos (Lv 25.8-17), o que ensina o domínio de Deus, a
santidade de seu caráter e a necessidade de a congregação se aproximar dele
com pureza de coração e mente.
Cristo Revelado
Cristo não é especificamente mencionado em Levítico. Entretanto,
o sistema de sacrifícios e o sumo sacerdote no Livro de Levítico são tipos
que retratam a obra de Cristo. O Livro de Hebreus descreve Cristo como o
sumo sacerdote e usa o texto de Levítico como base para ilustrar a sua obra.
Alguns usaram formas extremas de alegoria do Livro de Levítico a fim de
revelar Cristo, entretanto, esse método de interpretação bíblica deve ser
cautelosamente usado a fim de garantir que o significado original histórico
e cultural sejam preservados. O Livro de Levítico enfoca a vida e o louvor
do antigo povo de Israel.
O Espírito Santo em Ação
Apesar de o termo “Espírito Santo” nunca ser mencionado no Livro,
a presença de Deus é sentida em todo o livro. A santidade do caráter de Deus
é constantemente mencionada na designação de santidade às ações e louvor do
povo. Ele não é visto como nos cultos pagãos da época em que os ídolos eram
venerados, mas está no meio das pessoas, à medida que elas o louvam. Elas
devem ser santas como Ele é santo.
Esboço de Levítico
I. A descrição do sistema de sacrifícios 1.1-7.38
Os holocaustos 1.1-17
As ofertas de manjares 2.1-6
Os sacrifícios de paz ou das graças 3.1.17
A Expiação do pecado 4.1-5.13
O sacrifício pelo sacrilégio 5.14-6.7
Outras instruções 6.8-7.38
II. O serviço dos sacerdotes no santuário 8.1-10.20
A ordenação de Arão e seus filhos 8.1-36
Os sacerdotes tomam posse 9.1-24
O pecado de Nadabe e Abiú 10.1-11
O pecado de Eleazar e Itamar 10.12-20
III. As leis das impurezas 11.1-16.34
Imundícias dos animais 11.1-47
Imundícias do parto 12.1-8
Imundícias da pele 13.1-14.57
Imundícias de emissão 15.1-33
Imundícias morais 16.1-34
IV. O código de Santidade 17.1-26.46
Matando por alimento 17.1-16
Sobre ser sagrado 18.1-20.27
Leis para sacerdotes e sacrifícios 21.1– 22.33
Dias santos e festas religiosas 23.1-44
Leis para elementos sagrados de louvor 24.1-9
Punição para blasfêmia 24.10-23
Os Anos do Descanso e do Jubileu 25.1-55
Bênçãos por obediência e punição por desobediência 26.1-46
Números
Autor: Tradicionalmente
Moisés Data: Cerca de 1400 a.C.
Autor
Tradicionalmente, a autoria é atribuída a Moisés, a personalidade
central do livro. Nm 33.2 faz uma referência especifica a Moisés,
registrando pontos sobre a viagem no deserto.
O título em português Números é tirado de seu título (arithmoi)
na tradução grega do AT (a septuaginta), seguido pela Vulgata (numeri).
No texto hebraico, o nome do livro é No Deserto , tirado da linha de
abertura. “Falou mais o senhor a Moisés, no deserto do Sinai”.
Data
Assumindo a autoria mosaica, provavelmente o livro tenha sido
escrito por volta de 1400 aC., pouco antes de sua morte. Os acontecimentos
deste livro ocorrem durante cerca de 40 anos, começando logo após o Êxodo,
em 1400 aC.
Conteúdo
A divisão dos livros de abertura do AT em cinco livros ou
pergaminhos (chamado “o Pentateuco”, significa “Cinco pergaminhos”) não deve
obscurecer o fato de que cada um dos cinco livros é uma continuação do
precedente. Moisés, cujo nascimento é contato no Ex 2 e cuja morte é narrada
em Dt 34, é a figura que une a história do Êxodo até Deuteronômio.
O Livro de Número continua o relato do período mosaico, que se inicia com o
Êxodo. Começa com Israel ainda no Sinai. A entrada dos israelitas no deserto
do Sinai é registrada em Ex 19.1. Israel deixa o Sinai em Nm 10.11.
Número tem duas divisões principais: 1) a seção contendo instruções enquanto
ainda no Sinai (1.1-10.10); 2) a viagem no deserto que cobre o itinerário do
Sinai até as planícies de Moabe através do Jordão da Terra Prometida
(10.11-36-13). As instruções no Sinai lidam com a preparação para a viagem,
e o resto do livro conta a viagem em si.
As instruções no Sinai (1.1-10.10) cobrem uma variedade de tópicos, mas
aqueles que lidam com o preparo da viagem dominam. Os caps. 1-4 lidam com
uma série de instruções para numerar (fazer o censo de) vários grupos,
seguido de um relatório de concordância com o mandamento. Os caps. 5-6 lidam
com a imundície ritual, a infidelidade marital, e os nazireus. No cap. 7, os
líderes do povo trazem ofertas para o tabernáculo. O cap. 8 fala da
consagração dos levitas. O cap.9 lida com a Páscoa e a nuvem e o fogo; o
motivo do preparo é reconsiderado em 10.1-10, onde são dadas instruções para
que sejam feitos sinais com as trombetas.
A seção de Nm que lida com a viagem (10.11-36.13) tem duas partes
principais. Em primeiro lugar, 10.11-25.18 descreve a destruição de geração
que vivenciou a libertação do Egito por meio do Senhor. Os pontos-chave
nesta parte são os relatos das queixas, rebeliões e desobediência da
primeira geração, que levou à morte deles.
A segunda subseção (26-36) narra a preparação da segunda geração para a
entrada na Terra Prometida. Começa com um novo censo (comparar com o cap.
1), observando que toda a primeira geração, exceto Josué, Calebe e Moisés,
morreu no deserto. Essa seção termina com a distribuição da terra entre as
tribos depois de elas terem entrado na Terra Prometida.
Cristo Revelado
Jesus Cristo é retratado em Nm como aquele que provém. O Apóstolo
Paulo escreve sobre Cristo que ele era a pedra espiritual que seguiu os
israelitas pelo deserto e deu-lhes a bebida espiritual (1Co 10.4). A pedra
que deu água aparece duas vezes na história do deserto (cap 20; Ex 17).
Paulo enfatiza a provisão de Cristo às necessidades de seu povo, a quem
libertou do cativeiro.
A figura messiânica do rei de Israel é profetizada por Balaão em 24.17,
“Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo, mas não de perto; uma estrela
procederá de Jacó, e um cetro subirá de Israel”. A tradição judaica
interpretava este verso messianicamente, conforme atestado pelos textos de
Qumran. Jesus Cristo é o Messias, de acordo com o testemunho uniforme do NT,
e o verdadeiro rei sobre quem Balaão fala.
O Espírito Santo em Ação
Fala-se diretamente sobre o E. Santo no cap. 11. Lá o Espírito é
retratado como realizando duas funções: ungido para a liderança e inspirando
a profecia. No v. 16, Moisés está pedindo ajuda ao Senhor em seus deveres de
liderança. A resposta é que o Senhor tomará o Espírito que está sobre Moisés
(identificado no v. 29 como o Espírito do Senhor) e o passará para seus
líderes. Mesmo um líder como Moisés era incapaz de fazer tudo e precisava de
uma liderança doada pelo Espírito para a realização de sua tarefa.
Quando o Espírito é dado aos anciãos, ele causa a profecia (v. 25). Somente
o setenta anciãos nomeados profetizam. Quando Josué se queixa que dois dos
anciãos no acampamento também estão profetizando, Moisés expressa o desejo
de que todo o povo de Deus também recebesse seu Espírito e profetizasse.
Essa esperança de Moisés é retomada em Jl 2.28-32 e é definitivamente
cumprida no Dia de Pentecostes (At 2.16-21), quando o Espírito foi derramado
e tornou-se disponível a todos.
Esboço de Números
I. Instruções para a viagem do Sinai 1.1-10.10
Relato sobre a tomada do censo 1.1-4.9
1) Censo militar 1.1-2.34
2) Censo não militar: levitas 3.1-4.49
Instruções e relatos adicionais 5.1-10.10
1) Cinco instruções 5.1-6.27
2) Ofertas dos líderes 7.1-89
3) Levitas dedicados 8.1-26
4) Segunda Páscoa 9.1-14
5) Direção pela nuvem e fogo 9.15-23
6) As trombetas de prata 10.1-10
II. Relato da viagem do Sinai 10.11-36.13
Rebelião e punição da primeira geração 10.11-25.18
1)Relato da primeira marcha do Sinai 10.11-36
2) Queixas do povo 11.1-3
3) Ansiando por carne 11.4-35
4) Desafio para Moisés 12.1-16
5) Recusa a entrar na Terra Prometida 13.1-14.45
6) Instruções relacionadas às ofertas 15.1-41
7) Desafios à autoridade de Arão 16.1-18.32
8) Leis da purificação 19.1-22
9) A morte de Miriã e Arão 20.1-29
10) Do monte Hor às planícies do Moabe 21.1-35
11) Balaque e Balaão 22.1-25.18
Preparo da nova geração 26.1-36.13
1) Um novo censo 26.1-65
2) Instruções relacionadas à herança, ofertas e votos 27.1-30.16
3) Vingança sobre os midianitas 31.1-54
4) As tribos da Transjordânia 32.1-42
5) Itinerário do Egito até Moabe 33.1-49
6) Instruções para a ocupação de Canaã 33.50-36.13