A escatologia é o aspecto da doutrina bíblica que lida
com as “ultimas coisas” (do grego eschatos, “final”). Em 1 Jo 2.18,
João descreve os momento em que escreveu como sendo a “última hora”,
evidenciando que ele, como em todas as gerações, vivia em expectativa
imediata da segunda vinda de Cristo e via o seu tempo como um no qual a
presente evidência parecia afirmar que a sua geração era mesmo a última. Não
é uma atitude doentia: Cristo Jesus deseja que as pessoas aguardem
ansiosamente a sua volta ( Mt 25.1-3; 2Tm 4.8).
João não aponta apenas para o avançado da hora da
história como ele a vê; ele também se volta para o assunto do anticristo, um
tema comumente discutido quando se estuda a escatologia. O espírito do
anticristo, o arrebatamento da igreja, a grande tribulação, a restauração da
nação de Israel e o reino milenar de Cristo na Terra estão todos ente os
muitos assuntos que a Bíblia descreve como “últimas coisas”. A Bíblia
claramente diz que essas coisas devem acontecer. Entretanto, o momento exato
não está claro: em muitos casos não é dada a seqüência ou maneira correta do
cumprimento de tais acontecimentos.
Este site não segue qualquer ponto de vista conclusivo em
relação a esses assuntos popularmente discutidos. Pelo contrário, ele
procura ajudar os companheiros cristãos a compreender o ponto de vista dos
outros e a fim de auxiliar no diálogo e repudiar o fanatismo. Provavelmente
não seja razoável para um cristão ser separado de outro na interpretação de
coisas ainda futuras, coisas das quais não se pode saber o resultado final
até que realmente ocorram. Tanto o arrebatamento da igreja (incluindo a
segundo vinda de Cristo) quanto o milênio (ou o período de mil anos do reino
de Cristo) são peças centrais no futuro profético. Honestidade em relação a
esses dois acontecimentos, que são absolutamente certos nas Escrituras,
mostra que não são absolutamente precisos em se designar uma época
especifica ou método ou ordem definitiva de ocorrência.
São apresentados três possibilidades, todas com base
bíblicas, sobre a ordem das coisas dos últimos dias. Isto sugerem, que
nenhuma dessas correntes é a correta, mas, que são teorias apenas. Portanto,
não deve-se jamais discuti-las ou serem ensinadas como verdade absoluta.
1. Amilenismo:(definição: Wayne
Grudem)
A primeira posição aqui explicada, o amilenismo, é realmente a mais simples.
Segundo essa posição, a passagem de Apocalipse 20.1-10
descreve a presente era da igreja. Trata-se de uma era em que a influência
de Satanás sobre as nações sofre grande redução de modo que o evangelho pode
ser pregado por todo o mundo. Aqueles que reinam com Cristo por mil anos são
os cristãos que morreram e já estão reinando com Cristo no céu. O reino de
Cristo no milênio, segundo esse ponto de vista, não é um reino físico aqui
na terra, mas sim o reino celestial sobre o qual ele falou ao declarar:
“Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18).
Esse ponto de vista é chamado “amilenista” por sustentar
que não existe nenhum milênio que ainda esteja por vir. Como os amilenistas
crêem que Apocalipse 20 está-se cumprindo agora na era da igreja, sustentam
que o “milênio” aqui descrito já está em curso no presente. A duração exata
da era da igreja não pode ser conhecida, e a expressão “mil anos” é
simplesmente uma figura de linguagem par um longo período em que os
propósitos perfeitos de Deus vão se realizar.
De acordo com essa posição, a presente era da igreja
continuará até o tempo da volta de Cristo. Quando Cristo voltar, haverá
ressurreição tanto de crentes como de incrédulos. Os crentes terão o corpo
ressuscitado e unido novamente com o espírito e entrarão no pleno gozo do
céu para sempre. Os incrédulos serão ressuscitados para enfrentar o
julgamento final e a condenação eterna. Os crentes também comparecerão
diante do tribunal de Cristo (2 Co 5.10), mas esse julgamento irá apenas
determinar os graus de recompensa no céu, pois só os incrédulos serão
condenados eternamente. Por esse tempo também começarão o novo céu e a nova
terra. Imediatamente após o juízo final, o estado eterno terá início e
permanecerá para sempre.
Esse esquema é bem simples porque nele todos os eventos
dos tempos do fim ocorrem de uma só vez, imediatamente após a volta de
Cristo. Alguns amilenistas dizem que Cristo pode voltar a qualquer momento,
enquanto outros (como Berkhof) alegam que alguns sinais ainda não se
cumpriram.
2. Pós-milenismo: (definição: Wayne
Grudem)
O prefixo pós significa “depois”. Segundo esse ponto de vista, Cristo
voltará após o milênio.
Segundo esse ponto de vista, o avanço do evangelho e o
crescimento da igreja se acentuarão de forma gradativa, de tal modo que uma
proporção cada vez maior da população mundial se tornará cristã. Como
conseqüência, haverá influências cristãs significativas na sociedade, esta
funcionará mais e mais de acordo com os padrões de Deus e gradualmente virá
uma “era milenar” de paz e justiça sobre a terra. Esse “milênio” durará um
longo período (não necessariamente de mil anos literais) e, por fim, ao
final desse período, Cristo voltará à terra, crentes e incrédulos será
ressuscitados, ocorrerá o juízo final e haverá um novo céu e uma nova terra.
Entraremos então no estado eterno.
A característica principal do pós-milenismo é ser muito
otimista acerca do poder do evangelho par mudar vidas e estabelecer o bem no
mundo. A crença no pós-milenismo tende a aumentar em época em que a igreja
experimenta grande avivamento, há ausência de guerras e conflitos
internacionais e aparentemente se obtêm grandes avanços na vitória sobre o
mal e sobre o sofrimento no mundo. Mas o pós0milenismo em sua forma mais
responsável não se baseia simplesmente na observação dos eventos do mundo em
nossa volta, mas em argumentos extraídos de várias passagens da Escrituras,
as quais examinaremos abaixo.
3.Pré-milenismo: (defininção: Wayne
Grudem)
a) Pré-milenismo clássico ou histórico:
O prefixo “pré” significa “antes” e a posição pré-milenista diz que Cristo
irá voltar antes do milênio. Esse ponto de vista é defendido desde os
primeiros séculos do cristianismo.
Segundo esse ponto de vista, a presente era da igreja
continuará até que, com a proximidade do fim, venha sobre a terra um período
de grande tribulação e sofrimento. Depois desse período de tribulação no
final da era da igreja, Cristo voltará à terra estabelecer um reino milenar.
Quando ele voltar, os crentes que tiverem morrido serão ressuscitados, terão
o corpo reunido ao espírito, e esses crentes reinarão com Cristo sobre a
terra por mil anos. (Alguns pré-milenistas o consideram mil anos literais,
enquanto outros o entendem como expressão simbólica para um período longo.)
Durante esse tempo, Cristo estará fisicamente presente sobre a terra em seu
corpo ressurreto e dominará como Rei sobre toda a terra. Os crentes
ressuscitados e os que estiverem sobre a terra quando Cristo voltar
receberão o corpo glorificado da ressurreição, que nunca morrerá, e nesse
corpo da ressurreição viverão sobre a terra e reinarão com Cristo. Quanto
aos incrédulos que restarem sobre a terra, muitos (mas não todos) se
converterão a Cristo e serão salvos. Jesus reinará em perfeita justiça e
haverá paz por toda a terra. Muitos pré-milenistas sustentam que a terra
será renovada e veremos de fato o novo céu e a nova terra durante esse
período (mas a fidelidade a esse ponto não é essencial ao pré-milenismo,
pois é possível ser pré-milenista e sustentar que o novo céu e a nova terra
virão só depois do juízo final). No início desse tempo, Satanás será preso e
lançado no abismo, de modo que não terá influência sobre a terra durante o
milênio no abismo, de modo que não terá influência sobre a terra durante o
milênio (Ap 20.1-3).
De acordo com o ponto de vista pré-milenista, no final
dos mil anos Satanás será solto do abismo e unirá as forças com muitos
incrédulos que se submeteram externamente ao reinado de Cristo, mas por
dentro revolvem-se em revolta contra ele. Satanás reunirá esse povo rebelde
para batalhar contra Cristo, mas serão derrotados definitivamente. Cristo
então ressuscitará todos os incrédulos que tiverem morrido ao longo da
história, e esses comparecerão diante dele para o julgamento final. Uma vez
realizado o juízo final, os crentes entrarão no estrado eterno.
Parece que o pré-milenismo tende a crescer em
popularidade à medida que a igreja experimenta perseguição e o sofrimento e
o mal aumentam sobre a terra. Mas, assim como no caso do pós-milenismo, os
argumentos a favor do pré-milenismo não se baseiam em observação de eventos
correntes, mas em passagens específicas das Escrituras, especialmente (mas
não exclusivamente) Apocalipse 20.1-10.
b) Pré-milenismo pré-tribulacionista (ou
pré-milenismo dispensacionalista):
Outra variedade de pré-milenismo conquistou ampla popularidade nos séculos
XIX e XX, em especial no Reino Unido e nos Estado Unidos. Segundo essa
posição, Cristo voltará não só antes do milênio (a volta de Cristo é
pré-milenar), mas também ocorrerá antes da grande tribulação (a volta de
Cristo é pré-tribulacional). Esse ponto de visa é semelhante à posição
pré-milenista clássica mencionada acima, mas com uma importante diferença:
acrescenta outra volta de Cristo antes de sua vinda para reinar sobre a
terra no milênio. Essa volta é vista como um retorno secreto de Cristo para
tirar os crentes do mundo.
Segundo esse ponto de vista, a era da igreja continuará até que, de repente,
de maneira inesperada e secreta, Cristo chegará a meio caminho da terra e
chamará para si os crentes: “...os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro;
depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com
eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares” (1Ts 4.16-17).
Cristo então retornará ao céu com os crentes arrebatados da terra. Quando
isso acontecer, haverá uma grande tribulação sobre a terra por um período de
sete anos.
Durante esse período de sete anos de tribulação,
cumprir-se-ão muitos dos sinais que, segundo predições, precederiam a volta
de Cristo. O grande ajuntamento da plenitude dos judeus ocorrerá à medida
que eles aceitarem Cristo como o Messias. Em meio ao grande sofrimento
haverá também muita evangelização eficaz, realizada em especial pelos novos
cristãos judeus. Ao final da tribulação, Cristo voltará com os seus santos
para reinar sobre a terra por mil anos. Depois desse período milenar haverá
uma rebelião que resultará na derrota final de Satanás e suas forças, e
então virá a ressurreição dos incrédulos, o último julgamento e o começo do
estado eterno.
Deve-se mencionar outra característica do pré-milenismo
pré-tribulacionista: essa postura se encontra quase exclusivamente entre os
dispensacionalistas que desejam fazer distinção clara entre a igreja a
Israel. Essa posição pré-tribulacionista permite que a distinção seja
mantida, uma vez que a igreja é retirada do mundo antes da conversão geral
do povo judeu. Esse povo judeu, portanto, permanecerá um grupo distinto da
igreja. Outra característica do pré-milenismo pré-tribulacionista é sua
insistência em interpretar as profecias bíblicas “literalmente sempre que
possível”. Isso se aplica em especial a profecias do Antigo testamento
acerca de Israel. Os que defendem essa posição argumentam que essas
profecias da futura bênção de Deus a Israel ainda irão se cumprir entre o
próprio povo judeu; elas não devem ser “espiritualizadas”, tentando-se ver o
seu cumprimento na igreja. Por fim, uma característica atraente do
pré-milenismo pré-tribulacionista é que ele permite às pessoas insistir em
dizer que a volta de Cristo pode ocorrer “a qualquer momento” e, por essa
razão, fazem justiça ao significado pleno das passagens que nos incentivam a
estarmos prontos para a volta de Cristo, ao mesmo tempo que ainda admite um
cumprimento bem literal dos sinais que precedem a sua volta, pois diz que
lês se darão durante a tribulação.