Já de muito tenho ministrado que há uma ignorância muito
grande acerca de Deus no mundo, e também dentro de nossas
igrejas. A maior parte das pessoas que freqüentam conosco
uma das igrejas de Jesus Cristo, não compreende muito bem o
que Deus quer de nós e nem o que pretende fazer conosco.
A questão que quero levantar é no tocante a uma das mais
conhecidas e incompreendidas passagens da Bíblia: a que
trata dos frutos do Espírito e dos frutos (ou obras) da
carne (Gálatas 5).
Uma grande parte de nossos irmãos, de nossos companheiros de
igrejas, estão absolutamente convictos de que estão em posse
do fruto do Espírito, e que tem rejeitado as obras da carne.
Mas é uma convicção falsa, ilusória, porque na verdade estão
em posse das obras da carne e tem rejeitado o fruto do
Espírito. Estão na incômoda situação descrita em Mateus
6:23.
Por que estão nessa situação? Porque desconhecem o
significado das palavras que estão no texto bíblico, ou
estão fechando seus olhos para a verdade, para viverem uma
fábula, uma ilusão, uma utopia, um sonho, do qual serão
tirados quando vier o dia da angústia já mencionado.
Existem dois fatores principais que norteiam o comportamento
humano: pensamento e sentimento. Via de regra, nós fazemos o
achamos certo ou o que queremos fazer. As crises de
consciência ocorrem quando desejamos o que condenamos, ou
não queremos fazer o que acreditamos que deve ser feito.
O problema maior e mais complicado é que nossos desejos são
pérfidos, perversos, são decaídos e pecaminosos, contrários
à essência e ao desejo de Deus... E nossos pensamentos são
egoístas, são egocêntricos, individualistas, mesquinhos,
destrutivos. Em suma: somos pecadores, e vendidos sob a
escravidão do pecado (Rom.7 e 8)
Não sei ao certo qual seria o conceito mais aproximado de
personalidade, mas acredito que seja a essência de uma
pessoa, o conjunto de seus valores, suas emoções, suas dores
e suas aspirações. Personalidade é o conjunto de certo e
errado, de bom e de ruim, de bonito e feio, de louvável e
reprovável que cada um ser humano tem dentro de si.
O que ocorre, e isto precisa ficar claro, é que tais valores
são... "incorretos". Estão todos impregnados com essa alguma
coisa nojenta aos olhos de Deus chamada 'pecado'.
Então, quando o ser humano peca, quando faz alguma coisa que
seja errada ou condenável pela bíblia, nada estará fazendo
contrária à sua natureza. Gritar, xingar, amaldiçoar,
mentir, aproveitar-se da situação, roubar, e coisas tais,
são inerentes à condição humana. O natural é cometer pecado,
e ter as obras da carne presentes em nossa vida. O
sobrenatural é vencer a carne. É por isso que a Bíblia diz
em Mateus 11:12 que desde os dias de João Batista até hoje o
reino dos Céus e tomado à força e os violentos se apoderam
dele. E os violentos que andam em espírito, não se curvam ao
desejo da carne (Gal. 5:16)
Se não lutarmos contra a nossa natureza vil e perversa,
seremos dominados por ela, e as obras da carne se farão
presentes em nossa vida. Quando as obras da carne se fazem
presentes em nossa vida, significa que nosso espírito carnal
está dominando nosso ser. Então, o Espírito de Deus se
entristece, deixando-nos um vazio, e uma angústia em nossas
almas e em nossos corações.
Nas continuações da presente estaremos explicando o que é
exatamente cada obra da carne listada em Gálatas 5, e é
necessário que você, caso queira continuar, saiba que a
carne (espírito carnal, decaído) deve ser extirpada, ou vai
tirá-lo da igreja mais cedo ou mais tarde...
AS OBRAS DA CARNE: PROSTITUIÇÃO (2)
Já discorremos sobre a insignificância da diferenciação que
fazem os cristãos sobre a existência de vários frutos ou
apenas um fruto com várias partes. Discussão meramente
acadêmica que não interfere na aplicabilidade do ensino
bíblico, na vida da maior parte dos que freqüentam nossas
igrejas.
O primeiro fruto (ou primeira parte do fruto) é a
prostituição. E o sentido que comumente se atribui a palavra
é como sinônimo de fornicação, isto é, a prática sexual
pré-matrimonial. Isto é prostituição, sim. Mas prostituição
não é somente isto.
As palavras podem ter seus sentidos alterados de acordo com
o contexto em que estão inseridas. Assim, essa palavra pode
adquirir outros sentidos, de acordo com o sentido que o
Autor quiser lhe emprestar.
No mundo, a palavra prostituição pode ser relativo a uma
troca imoral, pessoas que dão coisas para receber outras
coisas, prática esta que ofende a moral e ética. Mulheres e
homens que alugam seus corpos por dinheiro, bens,
necessidades. Isto é uma forma de prostituição (Ex.23, II
Reis 17:17) que gostaria que ficasse claro para todos
quantos se dizem cristão e se ufanam como sendo "filhos de
Deus".
Prostituir é vender a própria honra, a própria dignidade, é
sacrificar o amor-próprio e a auto-valoração em troca de
alguma outra coisa.
Nós freqüentemente somos forçados a escolher entre o que é
reto aos olhos de Deus, aquilo que Deus quer e exige de nós,
é aquilo que é melhor (pelo menos aparentemente) aos nossos
olhos. Como ocorreu em Números 25. Para possuirem as
mulheres moabitas, os hebreus adoraram os deuses estranhos,
e se inclinaram diante de ídolos feitos por mãos humanas.
Nesse sentido, Adão e Eva se prostituíram quando a
desobedeceram a Deus para poder saborear o fruto da árvore
da vida.
Abraão prostituiu-se quando mentiu para não correr o risco
de ser morto por causa de sua linda mulher (Gen.12 e 20).
Isaque repetiu o mesmo erro (Gen.26). Jacó mentiu para obter
a benção de seu pai( Gen.27).
Ocorre a prostituição quando as pessoas da igreja se vendem
para obter o que desejam ou almejam. Negam a sua fé em
Cristo, jogam para fora a honestidade e a pureza de suas
mãos por dinheiro, por prazer, pela fama, pela diversão.
E isto, infelizmente, é comum e rotineiro em nossas igrejas:
pessoas que vendem a própria fé, a própria paz, a comunhão
com o Espirito de Deus por dinheiro, por prazer e por uma
qualquer outra mórbida forma de satisfação...
Simão Pedro prostituiu-se para não ser capturado e morto com
Jesus, mas depois de revestido com o poder do Espirito
Santo, recusou-se a prostituir por dinheiro (Atos:8). Isto é
o que quero transmitir para ti, e preciso que fique claro:
toda vez que alguém que se diz cristão, deliberada e
espontaneamente faz qualquer coisa contrária à palavra de
Deus, para ganhar algo ou não perder algo que tem, está se
prostituindo.
Jesus tem que valer mais do que tudo em nossas vidas, e por
ele temos que renunciar a tudo. Enquanto houver alguma coisa
no mundo, neste mundo, que valha tanto ou tão mais do que
Jesus, estamos sujeitos a nos prostituir para tê-lo ou não
perde-lo.
Pecado não é somente uma transgressão à lei de Deus, como
muitos pensam e ensinam. Pecado não é somente o que não
provém de fé. Pecado é tudo o que fere, magoa e entristece o
coração e o Espírito de Deus.
Toda vez que você faz alguma coisa, qualquer coisa, de forma
consciente e deliberada, que venha a magoar, entristecer o
coração de Deus para conseguir satisfazer uma necessidade,
um desejo, um capricho, uma "inclinação da carne"
(concupiscência), você estará vendendo a sua fé,
sacrificando a sua comunhão e comunicação com Deus. A carne
estará se manifestando e dominando a sua vida, a sua alma, o
seu espírito.
AS OBRAS DA CARNE: IMPUREZA (3)
As palavras não têm sentido nenhum se isoladamente
colocadas. E nenhuma delas tem melhor sentido se não houver
que as leia, as interprete, as entenda.
Impureza é sujeira, é escória, é o que atrapalha, é o que
está destoando do conjunto. Um feijão no meio de muitos
feijões não é impureza, mas um feijão no meio de um monte de
arroz é sujeira, é impureza, porque não se cozinha feijão
com arroz.
Assim, impureza no sentido bíblico, é relacionado ao mau-uso
da sexualidade humana. E isto é uma coisa, infelizmente,
comum e até normal nos dias atuais. Muitas vezes, inclusive,
é incentivado nas propagandas contra as doenças sexualmente
transmissíveis. "Faça o uso que quiser de seu corpo e sua
sexualidade, mas não transmita e nem adquira doenças" é a
tônica das campanhas. As novelas, os filmes, as leituras, as
conversas das rodas de bar, são onde encontramos incentivos
para tal prática que tem desastrosas conseqüências para o
ser humano em família.
Os seres humanos (inclusive, talvez, eu e você) tem sido
transformados em objetos, em coisas, em brinquedos sem alma,
sem aspirações , sem desejos, com o único propósito de
satisfazer nossos desejos e caprichos e também desejos e
caprichos alheios...
Homens com olhos cheios de impureza, olham apenas seios,
nádegas e coxas das mulheres que incentivam essa prática
insinuando-se com roupas que mostram "porções generosas" de
seus corpos.
Se por um lado tem se tornado comum que homens vejam
mulheres como brinquedos sexuais, de outro mulheres tem se
reduzido a tais objetos quando incentivam tais práticas.
Com a liberação sexual, a quebra de tabus, e a diminuição da
repressão sexual, um fenômeno inverso tem ocorrido: homens
que se sujeitam a se rebaixam também à condição de
brinquedos sexuais das mulheres. Às vezes, por dinheiro, o
que se classifica como prostituição. Objeto de uma mensagem
desta série.
Homens e mulheres são despidos, seviciados, abusados,
usados, explorados com os olhos da imaginação.
Quais as imagens que vem a tua mente quando estás deitado?
Quais são os sonhos e os desejos secretos e inconfessáveis
que te assaltam na tua solidão enquanto esperas o teu sono?
No secreto de teu coração, no esconderijo de tua mente, o
que vês? Para o que olhas? Quais os atos que aspiras
praticar? São santos? São agradáveis a Deus? São louváveis?
Podem ser conhecidos e confidenciados?
É comum que se pense que se assim for é impossível ao ser
humano manter-se puro. E realmente é, daí porque a bíblia
diz que a salvação é impossível aos homens (Mt.19).
Quando formos dominados, subjugados, transformados pelo
Espírito de Deus (Rom.12), poderemos ver as mulheres como
elas são: mulheres. Mulheres com emoções, desejos, vontades,
aspirações: alma, e não somente como bonecas, brinquedos,
objetos, coisas. O mesmo também para as mulheres que se
contaminam com a perniciosa mensagem das novelas e dos
filmes mundanos. Se imaginando desfrutar de um homem a cada
semana...
Nossos olhos são a janela de nossa alma. Se nosso interior
for limpo, tudo o mais será limpo. Mas se nosso interior for
impuro, tudo nos será impuro.
O mau-uso de nossa sexualidade só nos traz conseqüências
destrutivas. Somente dor e tristeza.
"Ainda que o pecado lhe seja doce na boca, ainda que ele o
esconda debaixo da sua língua, ainda que não o queira
largar, antes o retenha na sua boca, contudo a sua comida se
transforma nas suas entranhas; dentro dele se torna em fel
de áspides." (Jó 20:12-14)
OBRAS DA CARNE: LASCÍVIA (4)
Depois de toda a exposição acerca da impureza, não resta
muito a se falar sobre a lascívia. Enquanto que a impureza
se opera no plano abstrato, na imaginação, na mente, no
coração e nos pensamentos, a lascívia é a prática de atos
sexuais sem a pureza e a santidade colocadas na Bíblia para
a consecução do "serão os dois uma só carne" (Gênesis 2:24).
O relacionamento sexual, acredito, não tem sido muito bem
compreendido pelos membros de nossas igrejas. Em parte por
causa de falta de preparo dos líderes das igrejas, que não
tem também um conhecimento suficiente para se sentirem
seguros para ministrar sobre o assunto.
O relacionamento sexual não tem fins meramente reprodutivos,
como querem alguns, e não deve ser mera fonte de prazer como
muitos o consideram.
O relacionamento sexual tem vários objetivos que foram
instituídos pelo próprio Deus. Este é um lado da moeda. O
outro é a lascívia, a escravidão sexual, a degradação, o
excesso, o mau-uso da sexualidade. Isto é, se por um lado
temos uma total condenação e repressão da utilização de
sexualidade humana, de outro, temos um excessivo e
desregrado uso, que é igualmente destrutivo e fonte de
angústias e sofrimentos.
Num relacionamento sexual, os pares devem se preocupar mais
com o prazer que podem proporcionar do que o prazer que
querem e podem obter. A lascívia faz com que a pessoa se
preocupe somente com o próprio prazer, e isto de uma forma
excessiva, desregrada (sem regras, sem limites e sem medir
as conseqüências...). Pessoas há que se relacionam com
animais, com vários parceiros, com pessoas do mesmo sexo,
usando objetos, assistindo filmes e vendo revistas
pornográficas. Tudo isto é lascívia.
A lascívia é uma água que não sacia, é uma água que dá mais
sede, e cada vez que as pessoas se entregam à lascívia, mais
são envolvidas por ela, mais são tragadas, são viciadas,
controladas, dominadas, escravizadas. É uma escada que leva
as pessoas cada vez mais para baixo.
A pessoa que é dominada pela lascívia é aquela que está
sempre "em busca de novas emoções", porque o que tem logo
perde o gosto e a graça... E nessa busca, deixa sua
humanidade para se tornar menos e pior do que os animais...
Os filmes, as novelas, as propagandas estão cheios de
elementos que acalentam a lascívia, que sempre começa com um
"pequeno desvio" que descamba para longe da presença de
Deus...
O mundo incentiva e alardeia o mau-uso de nossa sexualidade,
e, em alguns atos, dá a entender que seria uma forma de ser
feliz. Mas são apenas umas flores que se colocam sobre as
correntes que prendem as pessoas que se tornam escravas da
lascívia...
Tem um cena de um filme do Batman (o homem-morcego), que
retrata e denuncia essas correntes. Nela, o Coringa grita: o
riso que vês em meus lábios apenas escondem a tristeza que
carrego no meu peito (ou coisa parecida). Assim é o mundo...
A impureza é o começo da lascívia e o fim do caminho é a
escuridão das trevas, a frustração, a angústia, a dor e o
sofrimento.
"Ainda que o mal lhe seja doce na boca, ainda que ele o
esconda debaixo da sua língua, ainda que não o queira
largar, antes o retenha na sua boca, contudo a sua comida se
transforma nas suas entranhas; dentro dele se torna em fel
de áspides." (Jó 20:12-14)
OBRAS DA CARNE: IDOLATRIA (5)
Há muito pouco ou quase nada a ser dito de idolatria.
Normalmente os cristãos lêem Jeremias 10 ou Salmos 115, e
entendem que idolatria se reduz e se resume ao ajoelhar-se
perante imagens de pedra ou madeira, e lhe dirigir orações,
esperando comunicar-se com o que o ídolo representa.
O Senhor nosso Deus é soberano, é absoluto, é total, é
completo. E assim Ele deve ser adorado.
Mas o ser humano é idólatra por sua natureza pecaminosa.
Sente a incrível necessidade de ver, de visualizar, de ter
contato com algo mais que os olhos da fé podem mostrar.
Todas as religiões do mundo antigo e moderno, à exceção do
judaísmo, tem imagens representativas de seus deuses.
No cristianismo, à exceção do catolicismo, não se fazem
imagens de escultura representativas de Deus.
E Deus proibiu a edificação, a construção, a elaboração de
imagens representativas de sua deidade (fato de ser Deus),
porque em nenhuma imagem há lugar e espaço para conter toda
a sua divindade. Deus, o nosso Deus , é onipotente,
onisciente e onipresente.
O outro sentido da palavra idolatria, ignorado pela maioria
dos cristãos, é o que se interpõe entre o ser humano e Deus.
Deus é soberano, completo, total, absoluto. E qualquer
motivo, qualquer elemento, qualquer pessoa, qualquer coisa
que valha mais ou tanto quanto Deus, é idolatria.
É por isso que a Bíblia chama de idolatria a avareza: quando
as pessoas esquecem- se de adorar e glorificar Deus, por
causa do dinheiro...
Deus tem que valer mais do que tudo. Mais do que a tua casa,
tua conta bancária, teu carro (novo ou velho), tua chácara,
teu emprego, teu próprio corpo, tua vida, teus sonhos, tuas
aspirações, teus projetos de vida. Deus deve valer mais do
que tudo, se assim não for, há idolatria em teu coração...
São ídolos tudo que se interpõe entre você e Deus. Deus tem
que vir em primeiro, e antes de tudo.
Percebe agora como temos milhares de idólatras dentro de
nossas igrejas? Pessoas que preferem magoar, ofender, ferir
e entristecer o coração de Deus para não perderem tempo,
dinheiro, carros, o respeito ou a amizade de alguém, o
prazer de ver uma novela ou um filme... Pessoas que preferem
magoar e ferir o coração de Deus a passarem por perdas e
humilhações... As suas casas, a sua honra, ou o amor-próprio
valem mais do que Deus...
E milhares já abandonaram as igreja por causa do objeto de
sua idolatria: dinheiro, posição social, homens ou mulheres,
família...
Deus que vir em primeiro lugar. Se assim não for, Deus não é
o primeiro, não é absoluto em tua vida, não é teu Senhor.
Oportuno colocar que há muitos que não tem consciência de
que Deus não é o primeiro, o Senhor. Acreditam que realmente
Deus esteja à frente de suas vidas. Há alguma coisa que vale
mais do que Deus para ti? Se um dia você for colocado contra
a parede, e tiver que escolher entre Deus e outra coisa, e
escolher esse outra coisa (talvez a própria vida -
Mt.26:69-75), esse será o objeto de tua idolatria.
Todos os dias cristãos do mundo todo trocam a fidelidade, e
a comunhão com o espírito de Deus por dinheiro, por prazer,
pela satisfação de uma vingança. São os ídolos que estão
adorando sem o saber.
Agora você já sabe o que é idolatria. Você tem algum ídolo?
Algo que valha mais do que Deus?
"Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas
estas coisas vos serão acrescentadas." (Mt.6:33)
OBRAS DA CARNE: FEITIÇARIA (6)
O ser humano é inseguro por natureza, é fraco e medroso. Mas
também é ambicioso, orgulhoso e vaidoso. Quer ser mais, e
melhor do que tudo e todos. E por isso, o oculto, o
proibido, o ultrapassar os limites sempre esteve presente no
curso da humanidade.
A cobiça do ser humano desafia-o a conhecer o desconhecido,
a pisar em solo perigoso, a brincar com forças que não pode
subjugar ou controlar.
Por que vai em busca dessas coisas? Por causa da três coisas
que o mundo cultua: o prazer, o poder e a fama. Querem ser
ricos, bonitos e famosos. Querem ser invejados, admirados,
ser comentário da sociedade. O desejo de ter poder, de ter
todas as vontades satisfeitas, leva muitas pessoas a
desprezarem a própria vida, e a própria liberdade. Querem se
sentir fortes, intocáveis, invencíveis, invulneráveis,
infalíveis, vencedores, olhar todos com soberba e
arrogância.
O sucesso é objeto perseguido pela maior parte dos seres
humanos. Eles acham que o sucesso é uma espécie de
arco-íris, onde a felicidade estará escondida num pote de
ouro. Então, os desavisados, para conseguir o sucesso que
almejam para suas vidas, recorrem à feitiçaria. Não querem
correr o risco de sofrer um fracasso. Não querem o risco de
que alguma coisa não vá dar certo. Não querem ser objeto dos
comentários maldosos de outrem, e nem querem ser vistos como
fracassados. Não querem sentir a humilhação de um fracasso.
Tem medo de serem objeto de chacotas e deboches. E isto não
somente em grandes projetos de vida. Mas também, motivados
pelo orgulho e pela arrogância, até mesmo em pequenas
coisas.
Há nos seres humanos uma ponta de desejo de serem invejados,
admirados, respeitados como vencedores. Ser o objeto dos
comentários e dos suspiros de outrem.
Ao lado dos rituais declaradamente satânicos, há, contudo,
uma outra faceta mais "soft" de feitiçaria, mais
dissimulada, mais aceita e até incentivada: astrologia
(horóscopo), a necromancia e a consulta dos espíritos.
Dentro do que a Bíblia chama de feitiçaria, estão todas as
práticas relacionadas ao contato com os espíritos e de
previsão do futuro.
Pessoas inescrupulosas, atrás de lucro fácil, enganam
pessoas ingênuas falando-lhes aquilo que querem ouvir. Os
que são explorados e enganados, na verdade o são pelo
próprio desejo de ter as expectativas realizadas, de ter
alguém que lhes diga: vai dar tudo certo, vai em frente.
Medo... o medo faz com que as pessoas ajam de forma
irracional em certos casos. O medo do futuro, o medo do
fracasso, o medo da dor faz com que busquem na feitiçaria
alguma certeza de que o objeto de seus medos não as encontre
mais à frente...
Medo... quando as pessoas são pressionadas, são colocadas em
situações em que tem que escolher, que decidir sobre o que
fazer, como fazer, elas tem medo. Medo de errar, de passar
ou causar dor e sofrimento, de perder o que tem, ou de não
conseguir o que querem. Então elas recorrem ao ocultismo, à
feitiçaria para ter certeza de conseguir o sucesso em suas
empreitadas.
Na vida do cristão não há sorte, não há azar. Existe a
benção e a direção de Deus. Se temos medo do futuro, é
porque há alguma coisa que não está de acordo com a Bíblia.
Ou não estamos confiando em Deus, que pode cuidar de nós, ou
estamos fazendo algo que a Bíblia condena.
Tua vida está de acordo com a Bíblia diz? Tua vida está nas
mãos de Deus? Então, não temas, porque o Senhor é contigo.
Nesta questão, não adianta mentir. Daí porque o Salmista
pergunta para Deus se há alguma coisa contra Deus em sua
vida (Salmos 139). Em caso contrário... a feitiçaria não vai
poder te livrar das funestas conseqüências de teus atos,
porque quem semeia ventos, colhe tempestades (Oseias 8:7).
OBRAS DA CARNE: INIMIZADES(7)
A convivência em sociedade nunca foi fácil e nunca será.
O comportamento humano sempre foi pautado por traições,
mesquinharias, enganos, tropeços...
O ser humano é extremamente melindroso, e se ofende, e se
sente ameaçado por pouca coisa, às vezes por quase nada.
Algumas vezes por nada...
A já comentada insegurança da alma do ser humano, às vezes o
leva a tangenciar a paranóia, fazendo-o pensar que há
pessoas que querem prejudicá-las, afligi-las, machucá-las,
atingi-las, roubá-las, matá-las... Assim, às vezes, uma
falta de cumprimento, é suficiente para desencadear um
processo que pode acarretar rompimento de relacionamentos.
Nossos olhos são a janela de nossa alma, e o que vemos
depende de nosso estado de espírito, do que somos e das
circunstancias em que ocorrem os fatos.
Nós filtramos, interpretamos o que vemos, e às vezes,
chegamos a conclusões totalmente erradas. Construímos toda
uma situação de maldade, toda uma cadeia de intrigas, toda
uma fundamentação e o conluio de pessoas que se unem para
nos prejudicar, nos ludibriar, que às vezes não corresponde
à realidade dos fatos. Vemos intenções que somente existem
na nossa imaginação.
Por que estou falando sobre isto? Porque "inimizade" é um
conceito ativo, não um conceito passivo. Isto é, no mais das
vezes, não são as pessoas que se declaram nossas não-amigas.
Lógico que há situações em que não tem como deixarmos de
reconhecer inimigas porque elas assim se declaram e praticam
atos de inimizades. Mas, no mais das vezes, nós é que
"sentimos" que as pessoas são ou se tornaram nossas
inimigas.
Por um motivo ou outro de somenas importância, passamos a
antipatizar com algumas pessoas. A acreditar que elas têm
algo contra nós, e que, assim, não querem o nosso bem... ou,
pelo menos, não se interessam com o nosso bem-estar.
Há que se diferenciar quem são efetivamente, nossos
inimigos, e quem são aqueles que consideramos, elegemos,
como nossos inimigos.
Quando as pessoas à nossa volta deliberada e
intencionalmente querem nos prejudicar e fazem coisas no
intuito de nos acrescentar dores e aflições, inegável que
são nossas inimigas, e que por isso mesmo devemos amá-las
(Mt. 6:44).
A carne opera quando, seguindo nossa essência má e egoísta,
consideramos, elegemos nossos irmãos como inimigos, e
procuramos nos afastar deles, deixamos de nos preocupar com
elas. E chegamos até a sentir uma ponta de satisfação se
eles passarem por dores e aflições.
Inimizade é obra da carne. Você tem sido amigo(a) de teus
irmãos? As pessoas da igreja são tuas amigas? As pessoas da
igreja tem a ti como amigo(a)?
Existem três sentimentos que podemos sentir em relação às
pessoas que estão nas igrejas: amor, ódio e indiferença. De
longe, é possível concluir que o sentimento mais comum e a
indiferença.
Tanto faz como tanto fez se as pessoas estão na igreja ou
não. Indiferença é uma forma da inimizade de que fala a
Bíblia...
Temos que amar, e sermos amigos das pessoas que estão na
igreja. Não importa se elas se importam conosco ou não, se
nos amam ou não. Nós temos que amá-las, e ajudá-las, e nos
importarmos com ela. O que foge disto não é amor.
Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu
coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. E
o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como
a ti mesmo. (Mt.22:37-39)
OBRAS DA CARNE: CONTENDAS (8)
A Bíblia que é normalmente utilizada tem palavras e
expressões que não são mais de uso corrente entre nós.
Então, algumas partes não são muito bem compreendidas. Se
não são compreendidas, então, não são aplicadas, não são
cumpridas.
"Contenda" se enquadra neste contexto. A Bíblia diz que
houve "contenda" entre os pastores de gado de Abrão, e os
pastores de gado de Ló (Gen.13:7). O mesmo ocorreu entre os
pastores da terra de Gerar, e os pastores de Isaque
(Gen.26:20). Ainda em Gênesis 31:36, encontramos que Jacó
contendeu com Labão. E assim, sucessivamente, vemos muitas
contendas na história do Antigo Testamento.
Afinal, o que é contenda? É uma coisa muito comum na igreja,
entre seus membros, que não sabem que é uma obra da carne
(ou não dão importância), e que somente ocorre com quem está
na carne, e, portanto, fora do domínio do Espirito...
Levados pelo calor das emoções, são capazes de acusar irmãos
de estarem sob a ação de demônios, cometendo heresia, de
levar qualquer bobagem sem importância ao concilio
(presbitério, reunião de obreiros, diretoria, ou coisa
semelhante) da igreja, e de exigir a cabeça do ofensor.
Contendas são brigas, desentendimentos, desavenças,
discussões. São produtos de almas feridas, espíritos
magoados. Gente que por um motivo ou outro, se sente
ofendido, humilhado, e passam a dar o troco na mesma moeda,
uma retaliação exemplar. Querem vingança, porque não podem
deixar o assunto por isso mesmo. Isso são contendas.
No mais das vezes, as contendas causam o ROMPIMENTO DE
RELAÇÕES. Os envolvidos não são capazes de PERDOAR a
humilhação, a ofensa, o desentendimento, as diferenças de
ponto de vista. Esta é a causa da origem de CENTENAS de
agremiações religiosas que proliferam a cada dia em todo o
mundo.
Gente que se sente rebaixada, humilhada, ofendida, que NÃO
SUPORTA o tratamento (muitas vezes injusto, outras vezes,
não) que lhe foi dispensado por um ou por outro irmão ou
líder da igreja onde está congregando, e decide sair dessa
igreja, e FUNDAR uma outra. Com os mesmos princípios, os
mesmos valores, a mesma doutrina... talvez o mesmo estatuto.
Só o nome é diferente. E o líder também. O fundador da nova
"igrejinha", antes era parte de uma liderança. Agora é O
LÍDER, o pastor-presidente, ou cargo que o valha. Enfim, o
cara que manda, que assina o cheque; o cara que decide.
Os que se metem em contendas não sendo da liderança da
igreja, normalmente se afastam dela. Algumas vezes vão
freqüentar outras igrejas. Na maioria das vezes, deixam-na
em definitivo.
Os motivos que elegem para a sua atitude são os mais
diversos e variados. Mas todos eles passam pelo orgulho,
pela soberba, pela arrogância. Pela incapacidade de
reconhecer ou aceitar que foi cometido um erro, e, assim,
proceder o perdão.
No fundo, as contendas são fruto da falta de amor. Amor por
Deus, amor pelas almas, amor pela obra, amor pelos irmãos,
que fazem com que não suportem mais presença dos desafetos,
não são capazes de perdoar erros e pecados.
Entende por que a Bíblia diz em muitas partes que o amor
encobre os pecados (Pv 10:12, I Pe. 4:8)?
Quando somos envolvidos, tomados, agarrados, enchidos e
dominados pelo Espirito de Deus, a carne não tem mais poder
sobre nós. Quando os esvaziamos do Poder, da Graça e da
comunhão com Espírito de Deus, então a carne opera, e
frutifica em nossos corações, em nossa vida, as obras da
carne, objeto desta série.
Não permita que as obras da carne tomem conta de ti. Viva em
espírito.
OBRAS DA CARNE: CIÚMES (9)
Uma certa vez li uma tira de jornal (da seção de
quadrinhos), onde havia uma mulher se lamentando:
- Ohh... por que ele me deixou? Por quê? Por quê? Por quê?
Eu não o largava pra nada. Nunca o deixava sozinho. Eu ia
comprar pão com ele, ia com ele ao trabalho, ia com ele ao
banheiro. Até na esquina de casa eu ia com ele. Nunca o
deixava sozinho, nem por um instante sequer. Por que ele me
deixou? Por quê? Por quê? Por quê?...
Uma mulher que não deixava seu marido respirar... tratava-o
como um incapaz, ou como jóia preciosa que precisava ser
guardada pelo ser medo de ser roubada...
Tem gente que pensa que ciúme é tempero de casamento, e que
por isso mesmo, não é em si, mesmo, perigoso ou
prejudicial...
Aliás, há uma passagem na Bíblia Sagrada que revela que Deus
trata de seus filhos com ciúmes (Tiago 4:5). Bom, então o
ciúme não deve ser uma coisa ruim, não é mesmo? Depende da
origem do ciúme.
Em minha análise pessoal (e posso estar errado), concluí que
o ciúme pode ter origens diversas. Principalmente a
insegurança, o sentimento de posse e o sentimento de
propriedade.
Os ciúmes por insegurança são mais observados nas mulheres.
Tem medo de perder o marido. O cônjuge é tratado como uma
âncora ou bóia, sem a qual morreria afogada. E que por isso
mesmo, se agarra com unhas e dentes com insano medo de
perdê-la.
Medo de ser abandonada, desprezada, trocada por outra...
Medo da humilhação de não ter um homem só seu... Então, esse
medo faz a mulher agir de forma que causa constrangimentos,
sofrimentos, dores... e a ruptura do relacionamento. Algo
como se segurasse uma coisa com tanta força em suas mãos que
ela escapasse através dos dedos...
Os ciúmes por sentimento de posse são mais observados nos
homens. A sua arrogância os fazem tratar o cônjuge como uma
propriedade qualquer cujo egoísmo não deixa ser vista ou
tocada por outrem. Um animal valioso, ou uma obra de arte de
grande valor que podem ser danificados (é meu e ninguém
tasca!).
É comum vermos os dois tipos de ciúmes concomitantemente em
algumas pessoas. Tratam o cônjuge como coisa preciosa e tem
medo de perdê-la. E não somente em relação aos cônjuges, mas
também aos filhos, amigos, clientes, irmãos. Como se fosse
dono de tudo, e não pudesse perdê-los. Mas como perder o que
não lhes pertence?
O ciúme de que trata a Bíblia é oriunda do sentimento de
propriedade. Propriedade no sentido de ser próprio, ser
parte de um todo de forma indivisível. Tal e qual nossos
braços ou mãos são nossa propriedade, e jamais poderíamos
dispor deles. Jamais poderíamos dá-los ou emprestá-los a
outrem. Compreende o que quero dizer? Posse é coisa,
propriedade é parte integrante. Somos parte de Deus pelo seu
Espírito que em nós habita; se é que em nós habita...
A enorme diferença entre os ciúmes de Deus e os ciúmes
humanos, é que Deus nos dá a liberdade de errarmos. Não nos
tranca num quarto, não nos espanca, não grita, nem xinga,
não exige satisfação de todos os nossos atos, e não nos
impede de andarmos sozinhos pelas ruas, ou de sair pela
noite para ver a cidade, e tomar um refrigerante no bar da
esquina.
As pessoas que a quem amamos (ou pelo menos pensamos que
amamos) não nos pertencem. Muito pelo contrário. Nós é que
pertencemos às pessoas que amamos.
Quando amamos realmente alguém somos capazes de deixar que
ela seja feliz, mesmo... que seja ao lado de outro alguém.
Volto a repetir, as obras da carne se manifestam em nós
quando o Espírito de Deus deixa de agir em nós e de comandar
nossos atos.
Os ciúmes de Deus são pelo sentimento de PROPRIEDADE e não
pelo medo ou sentimento de posse. Deus não tem medo de nos
perder, e nos trata como um animal ganhador de vários
prêmios. E nem nós o podemos.
OBRAS DA CARNE: IRAS (10)
A coisa mais fácil do mundo é se deixar dominar pela carne.
Para tanto, não se precisa fazer nada. A carne é como a erva
má. Não precisa ser plantada, nasce em qualquer lugar, não
carece de cuidados, e toma conta de tudo.
Em relação à ira, penso ser importante delimitarmos o que é
a ira, para depois saber como lidar com ela. Mas antes de
colocarmos o que é a ira, penso que é igualmente importante
colocar quais são as situações em que ela aparece.
Normalmente ficamos com raiva quando: a) somos flagrados no
erro (tipo ser multado no trânsito, ou chegar atrasado e não
poder fazer um exame); b) o time para o qual torcemos perde
a final do campeonato; c) um filho ou subordinado nos
desobedece; d) não conseguimos ser aprovados num exame (que
não seja de fezes...); e) somos tratados com aspereza,
estupidez ou grosseria; f) somos afrontados, injuriados,
injustiçados, humilhados; g) ocorrem dezenas de outras
situações que não nos é possível colocar agora.
Todas essas situações despertam em nós um sentimento de
raiva, em maior ou menor grau. Isto é, a raiva é sempre uma
REAÇÃO diante de uma situação adversa, e pode ser em maior
ou menor grau. Mais ou menos como uma reação alérgica. Vão
desde simples coceira até um choque anafilático. Mas nem por
isso deixam de ser malévolos ou malignos.
No caso da raiva, a menor das reações é um aborrecimento, e
podem chegar ao ponto de se matar uma pessoa, causar uma
destruição total.
No livro COMO VENCER A DEPRESSÃO, Tim La Haye informa que a
raiva é um dos estágios ou etapas iniciais da depressão.
Sendo emoção, não temos controle sobre o seu surgimento. Mas
podemos controlar sua EXPANSÃO. Um exemplo: estamos no
trânsito, uma motorista comete uma infração, uma
barbeiragem, e nos causa um susto. Surge a raiva. Podemos
deixar que ela tome conta de nós, e xingarmos o motorista e
a mãe dele... ou podemos nos controlar, agradecer pelo
ocorrido e pedir a misericórdia e a benção de Deus sobre
ele.
E assim, no dia-a-dia, temos dezenas de desapontamentos,
injustiça e frustrações capazes de liberar a raiva, e que
causam em nós desde um simples aborrecimento até um ódio
mortal.
Repito: quando a raiva surge em nós, diante das situações em
que nós nos encontramos, podemos nos deixar dominar por ela,
ou podemos dominá-la e deixarmo-nos ser dominados pela paz
de Deus.
Um detalhe: é possível não explodirmos no momento, mas
guardar a raiva, como se segurássemos uma válvula de panela
de pressão. Hipótese em que a conseqüências são muito mais
graves de desastrosas.
Imagine a raiva como se fosse o veneno de um animal
peçonhento. Um animal que muda de acordo com a situação,
podendo ser desde uma abelha, uma vespa, até uma cobra
cascavel, passando por escorpiões e aranhas. As situações
adversas fazem com que o veneno nos seja inoculado. A
afronta, a frustração, são a picada destes animais. Podemos
reagir no momento, gritando, xingando, matando, destruindo,
ou podemos guardar o veneno dentro da gente, fazendo com que
nossos órgãos internos apodreçam com o passar do tempo... ou
podemos agradecer a Deus por todas as coisas, boas ou más, e
permitir que o Espirito de Deus nos encha com a sua paz
Em qualquer caso é importante reconhecermos que podemos
controlar a raiva, se e quando formos controlados pelo
Espirito de Deus, e se o Espirito de Deus não habitar em
nós, estamos à mercê das obras da carne, entre as quais, a
raiva.
OBRAS DA CARNE: FACÇÕES, DISSENSÕES E PARTIDOS (11)
Antes de explanarmos sobre o título em epígrafe, penso se
importante abrir um parágrafo sobre um grande problema em
relação à leitura da Bíblia: a tradução.
Em algumas versões pesquisadas, a seqüência é discórdia,
facções e heresias. Por que temos tantas versões e tantas
diferenças entre umas e outras? Porque cada qual traz em si
os valores, e os sentimentos de quem traduziu o texto. Se a
versão utilizada foi traduzida por quem tinha más intenções,
o texto saiu todo deturpado, como realmente encontramos
algumas versões...
Neste caso concreto, e para a finalidade que pretendo
atingir, melhor utilizar a seqüência discórdias, dissensões
e facções ou partidos (e não heresias).
Heresias são ofensas a princípios religiosos. Hereges são
aqueles que vão contra valores religiosos. Voltaremos ao
tema.
O Apóstolo trata das discórdias, dissensões e facções como a
evolução de uma doença. Doença esta que está se alastrando
rápida e descontroladamente nas igrejas de Cristo.
Trabalhar com gente é a pior coisa que existe. Pessoas são
melindrosas, são suscetíveis, são sensíveis e volúveis...
magoam-se e sentem-se feridas e ofendidas por pouca coisa.
Às vezes por nada.
A igreja é uma ORGANIZAÇÃO. É um conjunto. A Bíblia fala em
"corpo" (I Cor.12). Esse corpo deve ser COMANDADO, DIRIGIDO,
GERENCIADO, ADMINISTRADO por uma PARTE. E deve trabalhar em
HARMONIA. Em resumo: o corpo deve ter um comandante, cujas
decisões devem ser aceitas, acatadas, obedecidas pelo
CONJUNTO.
É aqui que a coisa pega... um corpo vivo tem suas partes
COLADAS, GRUDADAS, são parte integrante de um TODO
INDIVISÍVEL, mas os membros da igreja, não. Nasceram em
separado, e, de acordo com o amadurecimento espiritual, de
acordo com a santificação, é que eles vão se tornando (ao
longo do tempo) um só. E enquanto isto não ocorre, essas
partes (cada membro individual) são ainda pedaços
destacáveis... isto é, ainda "saem" de seus lugares como se
fossem uma roda de carro com os parafusos frouxos... Entende
o que quero dizer?
A obra da carne se manifesta quando, por um motivo ou outro,
um membro semeia DISCÓRDIA por causa de algo que está
acontecendo no Corpo. Talvez a aplicação do dinheiro, ou
tratamento dispensado a determinado irmão, ou a forma como
um culto foi dirigido, enfim, qualquer motivo importante ou
não. Discordar é um direito que todos nós temos. Condenar é
um direito que nenhum de nós tem.
O irmão que está insatisfeito com o desenrolar dos
acontecimentos, sentindo-se injustiçado, começa a RECLAMAR
com um irmão e outro (daí a palavra "peleja" que encontramos
em algumas versões), e se forma uma dissensão, uma falta de
consenso sobre o assunto. Uns achando que deve feito assim,
e outros achando que deve ser feito assado. E se o pastor
(ou dirigente, ou ancião, ou o ungido de Deus) não tiver a
sabedoria e o bom senso de administrar a discórdia, que já
não é mais uma simples discórdia, mas um assunto no qual
toda a igreja já está envolvida, a coisa vai evoluir até que
se formem as facções ou partidos: os do contra, os a favor,
os de consenso, e os sem-opinião-opinião-formada. Isto se
não houver mais alguns grupos...
A falta de perdão, a falta de amor, a falta de humildade,
então, faz com que um grupo decida sair da igreja, ir para
outra (menos mau), ou sair de vez da Igreja... ou (o mais
grave e objeto da presente mensagem) fundar um novo grupo
religioso, que se diz cristão, ou evangélico... requerendo
para si as bênçãos de Deus, e alardeando que a sua criação
decorreu de uma expressa e direta vontade de Deus, que foi
Deus quem dirigiu tudo...
Aqui entra o sentido da palavra heresia: é contrário ao
Espirito, à intenção de Deus e aos princípios Bíblicos que
pessoas magoadas, insatisfeitas, ou que sentem injustiçadas
fundem igrejas para massagear o próprio ego, e fazer justiça
com as próprias mãos.
Amar é suportar diferenças, respeitar opiniões e aceitar
defeitos.
OBRAS DA CARNE: INVEJA (12)
Toda a humanidade sofre de uma doença congênita e
hereditária chamada "pecado". Ela nasce com o ser humano, e
está entranhada no mais profundo de seu ser. As
manifestações do pecado são múltiplas e multiformes. A
inveja é apenas uma delas.
Ocorre que a maioria das pessoas tem uma idéia meio "oblonga-arredondada"
sobre uma grande parte dos termos e conceitos usados
correntemente. É o caso da inveja, do amor, do ciúme, do
romantismo e milhares de outros. "Todomundo" fala sobre
isto, mas quando pedimos para que sejam definidos,
conceituados, quase ninguém consegue, porque quase ninguém
sabe. E quem se arrisca a fazer uma colocação sobre o termo,
começa dizendo "pra mim".
O que é a inveja? Inveja é uma emoção, como quase todos as
obras da carne. Uma emoção que é um misto de vários fatores:
vaidade, cobiça, frustração (incapacidade) e ódio (ou
raiva).
Vaidade porque o invejoso é uma pessoa que quer sempre ser o
melhor em tudo, o centro da atenções, o objeto dos
comentários e dos suspiros alheios; quer ser... invejado
pelos demais. Nessa ânsia de ser admirado e invejado, o
invejoso está sempre querendo mostrar o que tem (mesmo que
não tenha), o que é (mesmo que não seja), e o que pode
(mesmo que não possa).
Cobiça porque nessa ânsia de ser invejado, o invejoso quer
sempre o que está além de suas posses e de suas capacidades.
Frustração porque o invejoso sofre por não ser ou ter o que
acha que deveria ser ou ter.
E assim, surge a raiva em seu coração, e assim, a
necessidade descarregar essa ira, essa raiva, essa
frustração em forma de uma vontade de ferir, de magoar, de
destruir, de fazer sofrer...
A inveja sempre tem duas vítimas: o próprio invejoso, e a
pessoa de quem o invejoso sente inveja.
O invejoso é sempre uma vítima de seu sentimento maligno,
porque o faz sofrer. Remói a sua incapacidade, se martiriza
e é infeliz por que não se contenta com o que é e nem com o
que tem.
E a inveja sempre tem outra vítima: a pessoa de quem o
invejoso sente inveja. O invejoso sempre ELEGE alguém que
tenha algo que o faça ser amado, querido e desejado. Algo
que o torne popular. Uma popularidade que o invejoso quer
ter a qualquer custo: uma mulher bonita ou um marido bonito,
sucesso, um carro, uma voz sedosa, um bom emprego, bons
filhos, uma roupa bonita...
Na história dos reis de Judá e de Israel sempre esteve
presente a inveja. Leia os livros de Samuel, Reis e Crônicas
e descubra o quanto a inveja fez matar e destruir.
Mesmo que não o perceba, ou admita, o invejoso culpa a
pessoa invejada pelo seu insucesso, pela sua dor e sua
frustração. E aí vem a raiva, o ódio, o desejo de magoar,
ferir, fazer sofrer e destruir o "culpado" pelo fracasso
desse invejoso em sua ânsia de ser o centro das atenções, o
vencedor, o aclamado pelas multidões...
Todas estas manifestações e colocações que aqui faço nunca
aparecem em suas exatas proporções. Isto é, não é porque
tudo o que coloco não aparece é que a inveja deixa de
existir. Mas as colocações que agora faço podem aparecem em
maior ou menor grau.
O problema maior da inveja são as suas conseqüências. Há
pessoas que conseguem dissimular e esconder a sua inveja, e
não causam nenhum mal senão a si próprio. Mas no mais da
vezes a inveja causa dor e destruição. O invejoso sempre dá
um jeito de se vingar do invejado, de lhe causar alguma
forma de dor e sofrimento (humilhação e constrangimento são
os mais comuns...).
O invejoso sente uma mórbida satisfação em ver o sofrimento
e a dor do invejado. Isso se chama "perversidade".
Pregadores e cantores invejosos estão sempre a apontar os
erros e os deslizes de quem sentem inveja, e estão sempre
tentando expô-los ao ridículo, não raro distribuindo e
fomentando (ou fermentando) "informações inverídicas ou
distorcidas" (popular "fofoca").
Se você sofre desta doença, reconheça-a, confesse-a e busque
a cura. Evite sofrer.
OBRAS DA CARNE: BEBEDEIRAS (13)
A questão da bebida já levou muita gente boa para a
execração e para o ostracismo.
Há uma confusão muito grande entre os cristãos em muitos
assuntos, cada um interpretando a Palavra de Deus de acordo
com as suas convicções, seus valores e seus sentimentos. Às
vezes de acordo com os seus desejos e aspirações nem sempre
muito louváveis...
"Beber é pecado?" é a dúvida que assola milhares de cristãos
no mundo todo. Os que são a favor do enquadramento da bebida
no rol dos pecados tem vários versículos que servem como
fundamento. Por outro lado, os defensores da bebida alegam
que Jesus transformou água em vinho, e que o problema
estaria no excesso (tudo me é lícito, mas nem todas me
convêm - I Cor.6:12).
Para a infelicidade do primeiro grupo, meu entendimento é
que realmente o problema não está na bebida em si, como
também o problema não está nas facas ou no dinheiro. O
problema está em seu mau-uso.
Todas as afirmações dos cristãos sobre Deus têm que estar,
obrigatoriamente, pautadas, fundamentadas, embasadas na
Bíblia. E não há um só versículo na Bíblia que diga que seu
consumo é contrário aos desígnios ou à intenção de Deus, que
diga que "beber é pecado". Assim os que são contrários ao
consumo do álcool se apegam a versículos circunstanciais,
que colocam os malefícios do uso do álcool.
"Ótimo! Então eu posso beber, não é"? Pode ser a tua
conclusão. Com a qual eu não concordo.
O álcool tem algumas propriedades especiais. Causam alguns
efeitos nos animais. O primeiro deles é o relaxamento. O
álcool é uma substância vasodilatadora. Faz com que as veias
e artérias fiquem mais grossas, deixando passar sangue com
mais facilidade. Por isso que nos dias frios, diz-se que o
"álcool esquenta". E tem também o efeito desinibidor. As
pessoas que consomem álcool ficam mais corajosas, menos
tímidas. Conseguem expressar e ser de um jeito que não
seriam sem o álcool. Esses são alguns aspectos. Entro os
outros, torna as pessoas inconvenientes, inoportunas,
soberbas, arrogantes e, principalmente, inconseqüentes, não
se importando com as desastrosas conseqüências de seus atos.
Outro aspecto que não pode ser desprezado é que o álcool
vicia. Torna as pessoas dependentes, escravas de seu uso.
"Mas se beber socialmente, ou por esporte, tais problemas
não existem", pode ser outra conclusão, fadada ao fracasso.
Os aspectos maléficos do álcool são maiores do que os
benéficos. O uso do álcool deve ser uma exceção, e não a
regra. Algumas pessoas são mais suscetíveis, mais sensíveis
ao uso do álcool do que outras.
Quando a Bíblia coloca as bebedeiras entre as obras da
carne, o faz tendo em vista as situações em que o álcool
torna as pessoas inconvenientes, inoportunas, soberbas,
arrogantes ou inconseqüentes. Pior: quando escraviza.
Várias pessoas usam o álcool como escapismo, como forma de
fugir da realidade, dos problemas, das pressões da vida.
Como o álcool tem a propriedade de tornar as pessoas mais
leves, mais soltas, dando a sensação de euforia, tornando-as
mais corajosas (acredito que "inconseqüentes" seria mais
cabível) e desinibidas, o "beber socialmente" pode evoluir
para o vício, conduzir para a escravidão ao longo dos anos.
Pessoas que bebem somente nos finais-de-semana podem ser
tentados a beber também pela noite, e assim beber todas as
noites, e beber nos almoços, e assim conduzir à dependência.
O "de vez em quando" pode ter a freqüência diminuída, até
que se torne diário.
Para os cristãos, a pergunta que deve ser feita é: "por que
beber?". Vai ajudar em alguma coisa? Vai ser produtivo? Vai
demonstrar a glória de Deus? Vai ajudar a disseminar o amor
e a gloria de Deus? Em outras palavras: o uso do álcool deve
ser sempre uma exceção, e não regra.
OBRAS DA CARNE: ORGIAS (14)
Há muito pouco ou quase nada a se falar nas orgias como
obras da carne. Isto é, não são necessárias muitas
explicações para se entender os motivos e as razões pelos
quais a Bíblia coloca a orgia como obra da carne.
Como estamos numa série de mensagens sobre as obras da
carne, não podemos deixar de tecer alguns comentários sobre
o assunto, uma vez que constante no texto bíblico estudado.
A prática do relacionamento sexual do ser humano é uma
benção, e uma obrigação. Através do relacionamento sexual há
a realização do "uma-só-carne" que Deus determinou. E
através dessa realização, temos o cumprimento da obrigação:
enchei toda a terra.
Contudo, na maior parte dos animais, o relacionamento sexual
não é algo prazeroso. No mais das vezes, é doloroso ou, no
mínimo, destituído de prazer. Os animais se relacionam
porque há um "programa pré-determinado" (instinto) pelo
próprio Deus, que eles têm reproduzido desde que foram
criados.
Porque no ser humano é diferente? Porque Deus quis que
quando ele olhasse para seus filhos, tivesse prazer em
vê-los. E não dor.
A Bíblia diz que todas as coisas que foram criadas por Deus
são boas. Então o relacionamento sexual, inato à condição
animal, também tem que ser uma coisa boa. Nesta linha de
raciocínio, não pode estar certa a corrente de pensamento
que imagina e ensina que o relacionamento sexual é uma coisa
má, perversa, suja, imoral.
O perigo está em não se encontrar, não se conhecer o fiel da
balança. A linha divisória entre o santo e o profano, o belo
e o pervertido, o desejável e o condenável por Deus na
Bíblia.
Infelizmente, essa linha divisória não é tão visível (ou tão
conhecido) como Deus esperava que fosse. Então, de um lado
temos gente que diz que o relacionamento sexual deve ser
estritamente para a perpetuação da espécie (reprodução). Uma
coisa mecânica, fria, e dolorosa. De outro, temos gente que
pensa que Deus quer o coração. O corpo, não. Aí dá vazão à
devassidão e à sensualidade, praticando as orgias que a
Bíblia condena.
Por que a orgia é obra da carne? O que é orgia? O que a
Bíblia chama de orgia? Dentro do conceito de orgia, na linha
de raciocínio do texto estudado, estão a impureza e a
lascívia já estudadas. Contudo, além destes elementos, a
orgia compreende também a quebra da proposta da "uma-só-carne"
de Gênesis.
Toda vez que um ser humano se envolve num relacionamento
sexual onde não é possível, factível, os pares sexuais serem
"uma-só-carne", estamos diante de uma orgia. Assim, são
orgias os relacionamentos sexuais de pessoas de mesmo sexo,
e de pessoas com animais ou mais de um parceiro.
A Bíblia diz que quando nós nos unimos com uma prostituta,
nos tornamos uma só carne com ela (I Coríntios 6:15-16).
Nada impede que uma prostituta se converta e seja
santificada no nome santo do Senhor Jesus. Contudo será
impossível a realização do "uma-só-carne" com vários(as)
parceiros(as), ou com animais.
Gente que se envolve com orgias é gente que foi envolvida
por um espírito diabólico de lascívia e devassidão. São
pessoas que se rebaixam a um nível inferior ao de animais
irracionais, porque estes são guiados pelos instintos com os
quais nasceram. E quem se deixa dominar pelos espíritos
diabólicos vai contra a natureza que Deus implantou no
animal "ser humano", sendo guiado pelos desejos, pela busca
do prazer em todas as suas formas, e em todos os graus, de
todas as maneiras.
São pessoas enganadas, ludibriadas, trapaceadas pelo diabo,
que oferece a proposta de felicidade como sendo o prazer e a
diversão. Levam ao extremo a enganosa e destrutiva máxima de
que "a felicidade não existe, o que existem são momentos
felizes".
Ainda que o mal lhe seja doce na boca, ainda que ele o
esconda debaixo da sua língua, ainda que não o queira
largar, antes o retenha na sua boca, contudo a sua comida se
transforma nas suas entranhas; dentro dele se torna em fel
de áspides. (Jó 20:12-14)
OBRAS DA CARNE: COISAS SEMELHANTES A ESTAS (15)
No elenco das obras das carnes, há uma porteira aberta para
se classificar vários atos ou atitudes como tais: coisas
semelhantes a estas, sobre os quais desde já vos digo: quem
as pratica não herdará o reino dos céus (Gal.5:19).
Já tive a oportunidade de dizer, e volto a repetir, que o
cristianismo não é uma roupa que se veste em determinadas
ocasiões. O comportamento do Cristão deve ser linear, e de
acordo com os princípios bíblicos, com os ensinamentos de
Jesus, e orientação do Espírito de Deus.
O cristão é uma pessoa que tem uma guerra dentro de sua
alma, de seu espírito. Duas naturezas guerreiam entre si: de
um lado, o espírito carnal e vendido sob a escravidão do
pecado, que não aceita afrontas, que "não leva desaforo para
casa", que é preguiçoso, altivo, se aborrece facilmente, é
grosso, deseducado, estúpido, estourado, vive a gritar com
todo mundo, insatisfeito com tudo, reclamando de tudo,
culpando o emprego, a casa onde mora, o bairro onde mora, os
parentes, a família pela própria infelicidade. De outro
lado, o Espírito de Deus, manso, pacífico, solícito,
generoso, preocupado com a felicidade daqueles que vivem ao
seu redor, capaz de se sacrificar pelos que ama.
O mundo das pessoas felizes é diferente do mundo das pessoas
infelizes. Que é feliz tem um semblante leve, seus olhos são
brilhantes, seu rosto tem um brilho diferente, e um sorriso
aparece em seus lábios por qualquer coisa; às vezes, pelo
simples fato de estarmos ao seu lado. Quem é infeliz tem um
semblante pesado, seus olhos são soturnos, seu rosto é
carregado, e um sorriso é uma raridade em seus lábios.
Entende o que quero dizer?
Não adianta as pessoas alardearem aos quatro ventos,
"tocando trombeta diante de si", fazendo propaganda e dando
testemunho de sua felicidade, se seus atos, seu semblante,
seus olhos traem as suas palavras.
As igrejas estão cheias de pessoas que são infelizes, mas
insistem em alardear uma falsa, ilusória e fantasiosa
felicidade. Pessoas preguiçosas, deprimidas, reféns de seu
gênio explosivo, ciumentas, e que aborrecem por muito pouco,
às vezes por nada. Estão sempre reclamando de tudo, mas
insistem em dizer: "graças a Deus que no céu encontraremos
descanso". Convenhamos, outra ilusão.
O que chamamos de carne é nossa natureza decaída, perversa,
vendida sob a escravidão do pecado, e que vai contra tudo o
que é santo e agradável a Deus. Quando uma pessoa briga,
grita, xinga, manda todo mundo "pra ponte que caiu", tem
prazer e se diverte com a aflição alheia (principalmente dos
desafetos) nada mais está fazendo do que ser natural. Estas
coisas são naturais ao ser humano.
Entende o que quero dizer? Estamos estudando as obras da
carne. Então temos que entender o que é a carne.
Reconhecê-la, para então saber como lidar com ela. Se nem
sequer reconhecemos uma obra da carne, dificilmente
saberemos como combatê-la.
A lista de Gálatas 5:18-19 não é taxativa, não é fechada.
Qualquer coisa que fira, que magoe o Espírito de Deus é obra
da carne. Por exemplo: grosseria e indelicadeza são obras da
carne, porque magoam. Hipersensibilidade (magoar-se por
qualquer coisa, às vezes por nada) também é, porque
demonstra um espírito fraco e medroso.
Quando estamos em dúvida, não devemos perguntar "é pecado?".
Isto demonstra que queremos fazer, mas temos medo de alguma
conseqüência futura. O desejo de fazer está em nós, mas nos
contemos pelo medo que possa acarretar.
Depois de ler todas as explicações (superficiais,
reconheça-se - espero que tenha lido todas) sobre as obras
da carne, é necessário perguntar: ela estão presentes em tua
vida? Deus pode olhar para ti do alto e dizer: "este(a) é
o(a) meu(minha) filho(a) amado(a), em quem tenho muito
prazer"?
Seja sincero(a) na resposta. Desonestidade também é
obra da carne.