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Abuso: Não
toqueis nos meus ungidos!
Dá ouvidos,
ó pastor de Israel, tu que conduzes a José como um rebanho;
tu que estás entronizado acima dos querubins, mostra o teu
esplendor -
Salmos 80:1.
Não toqueis
nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas -
Salmos 105:15
Veio a mim
a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, profetiza
contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: Assim
diz o SENHOR Deus: Ai dos pastores de Israel que se
apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as
ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o
cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não
fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não
ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida
não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza.
Assim, se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram
pasto para todas as feras do campo. As minhas ovelhas andam
desgarradas por todos os montes e por todo elevado outeiro;
as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem
haver quem as procure ou quem as busque - Ezequiel 34:1 -6.
Vendo ele -
Jesus - as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam
aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor - Mateus
9:36
"Não Toqueis nos Meus Ungidos"
INTRODUÇÃO
A vasta
maioria dos membros das assim chamadas "igrejas evangélicas"
de todos os matizes - sejam protestantes, evangélicas
propriamente ditas, pentecostais, carismáticas e da terceira
onda - já tiveram a oportunidade, em um ou outro momento, de
presenciar um pastor, presbítero, missionário, evangelista,
apóstolo, profeta ou algo que o valha, subir ao púlpito de
uma comunidade qualquer e mandar ver um sermão acerca de
"não toqueis nos meus ungidos". Junto com o sermão, bastante
impróprio, diga-se de passagem, vem um besteirol que beira
realmente às raias do ridículo.
Estes
sermões são todos motivados pelo conceito errado e realmente
perverso de que aqueles que servem ao Senhor nas funções de
pastor, presbítero, missionário, evangelista, apóstolo ou
profeta etc, são realmente "servos especiais" que pertencem
a uma categoria que é distinta de todos os outros crentes.
Como "servos especiais", estas pessoas, pois existem homens
e mulheres nesta categoria, imaginam que estão acima de
qualquer tipo de crítica e que podem mandar e desmandar na
Igreja do Senhor, porque, segundo eles mesmos, o Senhor lhes
concedeu poder e autoridade "especiais". Por este motivo
todo e qualquer criticismo, não importa a intenção, será
confrontado vigorosamente através de vários mecanismos entre
os quais se encontra o famigerado sermão acerca de "não
toqueis nos meus ungidos".
Mas existem
mesmos pessoas especiais para Deus? Existem mesmo pessoas
que recebem um batismo com o Espírito Santo que é mais
poderoso do que o batismo com o Espírito Santo que veio
sobre todos os outros cristãos? Existe realmente uma unção
que é maior, melhor, mais poderosa do que a unção com que o
próprio Deus ungiu a todos os crentes no Senhor Jesus
Cristo?
Outro dia o
autor tomou conhecimento de que um falso mestre que atende
pelo nome de Benny Hinn, declarou ter visitado os túmulos de
duas mulheres fundadoras de igrejas cristãs do passado e que
"coletou", para si mesmo, "a poderosa unção" que ainda se
encontrava naqueles túmulos cheios de pessoas mortas. Não
duvido que ele tenha realmente "coletado" alguma coisa, mas
certamente o que ele coletou não tem nada a ver com o
Espírito Santo de Deus. Este patético senhor e todos seus
seguidores, e não são poucos, estão realmente fora de
sintonia com o Deus da Bíblia e com a própria Bíblia como
espero demonstrar neste artigo. Quando confrontado por tais
práticas estranhas e realmente abusivas o senhor Benny Hinn
reagiu com as seguintes palavras: "Se você falar mal de mim,
ou contra a unção que está em mim e no meu ministério, seus
filhos irão sofrer as conseqüências". Quão longe este tipo
de atitude se encontra do verdadeiro ensino dos Evangelhos
fica a critério do leitor decidir.
Mas como
conseguimos chegar neste nível de desarranjo espiritual onde
um homem que alega ser pregador da palavra de Deus age como
um verdadeiro seguidor do espiritismo kardecista e procura
recolher pretensas unções em cemitérios? Tudo isto acontece
por um simples, mas poderoso fato, que pode ser assim
representado: existem algumas pessoas que se arvoram ares de
super-crentes ao mesmo tempo em que existem também, milhares
de outras pessoas que estão dispostas a acreditar e seguir
os super-crentes a qualquer custo, achando que com isto
estão seguindo no caminho de Deus. O autor deseja dizer aqui
com todas as letras, apenas que: NÃO EXISTEM SUPER-CRENTES.
Tudo o mais será dito no restante deste artigo.
I. Os
Abusadores
Abuso
espiritual, pode parecer estranho, é um estado de coisas
amplamente denunciado nas páginas das nossas Bíblias. No
passado, durante os dias do Antigo Testamento, Deus levantou
inúmeros profetas para denunciarem este tipo de
perversidade. No Novo Testamento, o próprio Senhor Jesus
tomou uma boa porção do Seu ministério para denunciar e
confrontar aqueles que abusam espiritualmente de outras
pessoas. Por estes motivos nós faremos muito bem em ouvir o
que eles têm a dizer acerca dos desmandos e abusos que
percebemos nos dias de hoje, da parte de homens e mulheres
que são extremamente ágeis e rápidos em se proteger debaixo
da couraça representada pela expressão "não toqueis nos meus
ungidos".
A. O
Profeta Ezequiel
A passagem
de Ezequiel 34:1 - 6 é certamente a que melhor descreve, no
Antigo Testamento, o assunto que é objeto deste artigo, a
saber: Abuso Espiritual.
1 Veio a
mim a palavra do SENHOR, dizendo:
2 Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel;
profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Ai dos
pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não
apascentarão os pastores as ovelhas?
3 Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado;
mas não apascentais as ovelhas.
4 A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a
quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e
a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e
dureza.
5 Assim, se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram
pasto para todas as feras do campo.
6 As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e
por todo elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas
por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as
busque.
Nesta
passagem nós encontramos a palavra do Senhor vindo até o
profeta Ezequiel lhe ordenando que profetize contra "os
pastores de Israel". Por esta expressão, como fica evidente
pelo contexto, devemos entender que o profeta não está se
referido literalmente a pastores de ovelhas, e sim a todos
os líderes da nação de Israel. Ele dirige suas palavras aos
magistrados e aos príncipes, aos levitas e aos sacerdotes
i.e. a todos aqueles que tinha a responsabilidade de cuidar
do povo de Deus. De zelar sobre o povo de Deus, de
protegê-lo e de não explorá-lo.
Através do
profeta Ezequiel é o próprio Deus quem tem algo a dizer a
estes líderes. E Deus fala de uma posição privilegiada já
que Ele mesmo é reconhecido como o pastor por excelência
sobre seu povo - ver Salmos 80:1. E como pastor sobre Seu
povo, Deus é louvado, de forma magistral por Davi no Salmo
23 que começa exatamente com as palavras "O SENHOR é o meu
Pastor, nada me faltará"! Fala o Deus-pastor de Israel e
diz: "Ai dos pastores de Israel"! E nesta expressão nós
encontramos uma vibrante contradição entre como aqueles
homens se viam e como o Deus-pastor os via. Como iremos
perceber os problemas causados por pastores abusadores,
existem desde os tempos mais antigos.
Pastores,
como líderes, gostam de pensar de si mesmo como pessoas
diferenciadas, acima das outras pessoas. Gostam de se ver
como sendo "especiais", como super-crentes. Apesar de
gostarem de se ver desta maneira, Deus não está nem por um
segundo interessado em participar no jogo deles. Suas
palavras são de condenação absoluta desde o começo: "Ai dos
pastores de Israel". Aqueles homens achavam que as posições
que ocupavam eram tão dignificadas que os tornavam,
automaticamente, isentos e imunes a toda e qualquer forma de
crítica. Não entendiam que as posições que ocupavam, bem
como as funções que executavam, realmente, não os isentavam
de ter que admitir seus erros, de ter que confessar seus
pecados e de sofrer as graves conseqüências dos juízos de
Deus, caso não se arrependessem. Esta palavra realmente dura
da parte do Senhor é motivada pelo fato de que os pastores
não são "donos" do rebanho de Deus e por este motivo não
podem tratar o rebanho de Deus de qualquer maneira e muito
menos de maneiras que sejam abusivas. Pastores, como diz o
apóstolo Pedro, não passam de cooperadores submetidos ao
Senhor Jesus que é chamado de Supremo pastor - ver 1 Pedro
5:4. O motivo porque o Senhor usa tão duras palavras foi
expresso de forma perfeita pelo profeta Jeremias quando diz:
"Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu
pasto! - diz o SENHOR - Jeremias 23:1. Porque somos ovelhas
do pasto do Senhor, é que Ele se mostra tão aborrecido
quando somos maltratados por aqueles que deveriam realmente
cuidar de nós. Todos aqueles que são chamados, pelo SENHOR,
para ajudar a cuidar das ovelhas do Seu pasto, vejam bem
como procedem porque Deus não se agrada de tolos - ver
Eclesiastes 5:4! Conforme podemos ver neste texto de
Ezequiel, Deus irá sempre tratar com firmeza aqueles que não
viverem à altura dos compromissos assumidos como pastores e
servos a serviço do povo de Deus.
Ezequiel,
falando em nome do Deus-Pastor de Israel, confronta os
pastores dos seus dias de várias maneiras.
1. Em
primeiro lugar existe a pergunta mais básica que precisa ser
respondida e que é: por que existem pastores? A resposta nos
vem através de uma pergunta feita pelo profeta: Não
apascentarão os pastores as ovelhas? Pastores existem,
primariamente, para apascentar as ovelhas. Para cuidar das
ovelhas. E devem executar estas funções sem condenar e sem
brutalizar as ovelhas. Usando uma linguagem bastante direta,
o profeta acusa os pastores de estarem cuidando de si mesmos
em vez de estarem cuidando das ovelhas: "Ai dos pastores que
se apascentam a si mesmos!". Como se não fosse terrível o
bastante ignorarem as necessidades das ovelhas por estarem
por demais ocupados consigo mesmos, estes pastores ainda
tratavam as ovelhas com extrema brutalidade, pois o profeta
diz: "Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o
cevado; mas não apascentais as ovelhas" e "dominais sobre
elas com rigor e dureza". O interesse daqueles pastores
estava muito mais nos benefícios materiais que poderiam
receber das ovelhas - carne, gordura, lã - do que nos
benefícios espirituais que poderiam e deveriam repartir no
cuidado do rebanho. Para Ezequiel, o interesse daqueles
pastores não estava centrado no chamado de Deus e no
pastoreio e sim no poder e no controle que exerciam sobre as
ovelhas.
2. Em
segundo lugar existe a triste constatação de que os pastores
estavam negligenciando por completo suas responsabilidades,
mesmo as mais básicas. O profeta diz: "A fraca não
fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não
ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida
não buscastes". Mas que situação tão terrível! Por que estes
homens agiam assim desta maneira? Além da absoluta falta de
interesse verdadeiro pelas ovelhas, eles agiam desta maneira
em parte por ignorância e em parte por preguiça. O
despreparo dos pastores é notório e a preguiça de muitos
deles também. Deixa o rebanho pra lá, dizem. O rebanho só me
interessa pelo que posso conseguir dele, o resto é realmente
irrelevante. Pensam e agem assim porque sabem que o povo os
tem em alta estima e ninguém vai realmente querer peitar o
"ungido do Senhor".
3. O
resultado direto deste descaso e ignorância não demora a ser
sentido. Ovelhas sem cuidados pastorais e maltratadas tendem
a se espalhar, por não haver pastor, e acabam por tornar-se
pasto para todas as feras do campo. Este é o triste fim de
todas as situações de abuso espiritual que encontramos,
mesmo nos dias de hoje: ovelhas dispersas, abandonadas e
sendo devoradas por todos os tipos de "feras". O profeta
constata, em nome do Deus-Pastor de Israel, esta triste
realidade ao dizer: "As minhas ovelhas andam desgarradas por
todos os montes e por todo elevado outeiro". Ovelhas
abusadas só conseguem resistir até certo ponto. Algumas
chegam mesmo a morrer dentro do próprio redil - a comunidade
local que chamamos de igreja. Outras, não agüentando mais os
abusos, preferem abandonar o redil. E os pastores demonstram
algum tipo de preocupação? As palavras de Ezequiel estão
repletas de desconsolo neste quesito: "as minhas ovelhas
andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure
ou quem as busque". A triste conclusão a que chegamos ao
analisar este texto é a mesma de muitos irmãos que têm nos
procurado para nos dizer: melhor ficar sem pastor, do que
sob os cuidados, ou melhor, a falta de cuidados, deste tipo
de pastores denunciados pelo profeta.
Não podemos
ignorar que os pastores abusadores, não desistem de seus
atos de abuso, mesmo quando as ovelhas saem dos seus redis.
Estes abusadores perseguem as ovelhas, visando trazê-las de
volta à situação terrível da qual haviam escapado. Quando
encontram resistência por parte da ovelha que saiu, a
atitude dos abusadores é, como o leitor já sabe, mais abuso.
Falsas acusações de insubordinação, de insubmissão e falta
de consagração a Deus são apenas o começo. Visando intimidar
a "ovelha desgarrada", pastores abusadores partem para os
mais baixos tipos de manipulação que incluem: dizer que a
"ovelha desgarrada" nunca foi verdadeiramente crente, ou
pior, dizer que a "ovelha desgarrada" vai direto para o
inferno. Depois, com a cara lavada, estes abusadores
sentem-se livres para afirmar que suas igrejas são igrejas
que "cuidam realmente" das pessoas e ninguém poderá dizer
que não tentaram trazer a ovelha desgarrada de volta.
Mas é
interessante notar, que nestes encontros, que visam à
reconciliação, não existe, por parte dos abusadores, nem uma
palavra de admissão de erros cometidos. Como são os "ungidos
do Senhor" estão muito acima até mesmo da possibilidade de
cometerem o menor pecado. Afinal eles ensinam, que pastores,
não cometem erros nem pecados e não precisam nunca pedir
perdão. E quando apertados, costumam sacar, sem a menor
cerimônia, seu texto favorito que diz: Não toqueis nos meus
ungidos! São realmente patéticos nestas horas.
A verdade
que muitas vezes resistimos em reconhecer, e pessoas
abusadas sentem esta dificuldade de uma maneira muito mais
aguda, é que existem muitos homens, mas muitos mesmos, que
se intitulam pastores, são até mesmo ordenados, mas que na
realidade não são pastores de verdade. Não possuem chamado,
não se submetem ao Senhorio de Jesus e não se dispõe ser
aquilo que devem ser: servos, a serviço do povo de Deus.
Muitos hoje estão no ministério apenas por interesses
financeiros e comerciais. Como "ser pastor" se tornou em
apenas mais uma profissão, o pastor-abusador fará de tudo
que estiver ao seu alcance para não perder sua "boquinha".
B. O
Senhor Jesus e os Falsos Pastores
Nos dias em
que andou por este mundo, o Senhor Jesus foi um ferrenho
adversário dos falsos pastores. Jesus se opôs abertamente
contra todos aqueles que, chamando-se pastores, se ocupam
realmente somente consigo mesmos e abandonam o rebanho
completamente. A situação do povo de Israel nos dias de
Jesus não era nem um pouco diferente daquela que encontramos
nos dias do profeta Ezequiel. O evangelista Mateus nos diz
que: "Vendo ele - Jesus - as multidões, compadeceu-se delas,
porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm
pastor - Mateus 9:36".
O encontro
frontal entre Jesus e os falsos pastores de Israel dos seus
dias, será discutido na parte 3 desta série.
II. "Não
Toqueis nos Meus Ungidos"
Conforme
mencionamos anteriormente, pastores abusadores gostam de
pensar acerca de si mesmos, como sendo super-crentes. Gostam
de pensar acerca de si mesmos como pertencendo a uma casta
realmente separada e distinta de todos os outros irmãos.
Dentro desta visão costumam, por um lado, torcer textos
bíblicos para beneficiá-los e por outro lado inventam uma
série de normas que são colocadas em prática tão logo são
questionados ou se sentem ameaçados. É importante que
deixemos bem claro que na grande maioria das vezes, este
sentimento de que estão sendo ameaçados, é completamente
irracional. Vamos primeiro ver os textos favoritos dos
pastores abusadores quando o assunto é a auto-defesa deles,
e em seguida, veremos algumas das normas mais comuns
implementadas em suas defesas. Não podemos nunca nos
esquecer que todos os recursos utilizados pelos pastores
abusadores visam não deixar nenhuma dúvida na cabeça de
nenhuma pessoa acerca de quem realmente manda!
A. Os
Textos Bíblicos Favoritos dos Pastores Abusadores
Os pastores
abusadores gostam de se ver como pertencentes a uma classe
toda especial de pessoas. Uma das maneiras favoritas de se
descreverem é atribuir a si mesmos o pomposo título de
"ungido do Senhor". Com isto querem dizer que são objetos de
uma unção toda especial da parte de Deus. Esta "unção"
possui verdadeiro poder mágico de transformá-los em
super-crentes. Como tais, estão imunes de cometer os mesmos
erros que todos nós estamos sujeitos a cometer. Como não
cometem erros, não têm nada acerca do que devem pedir
perdão. Como não cometem erros nem pecados, são também
inatacáveis e não podem sofrer nenhum tipo de crítica ou
censura. Qualquer pessoa que ouse criticá-los ou condená-los
por práticas abusivas será severamente tratada.
Mas vamos
considerar, por breves instantes, o mito de que a expressão
"não toqueis nos meus ungidos" diz respeito aos pastores
abusadores. Mitos nada mais são do que palavras que
assumiram um significado diferente daquele que lhe foi
atribuído pelo autor original. O mesmo é verdade com o mito
criado em torno da expressão "não toqueis nos meus ungidos",
como podemos perceber pela evidência a seguir.
1. A
expressão "ungido do Senhor" é bíblica e ocorre exatas oito
vezes no texto hebraico do Antigo Testamento. Seis destas
oito menções fazem referência ao rei Saul. Uma faz
referência ao Rei Davi e uma diz respeito ao Ungido do
Senhor como aguardado pelo profeta Jeremias. As menções aos
reis Saul e Davi, deixam bem claro que os ungidos do Senhor
não eram homens imunes nem a erros, nem a críticas e muito
menos à disciplina por parte do Senhor. Ver a lista completa
de versículos que trazem a expressão "ungido do Senhor" no
final deste artigo.
2. A
expressão "teu ungido" é também bíblica e ocorre seis vezes
no texto hebraico do Antigo Testamento. Destas seis, uma diz
respeito ao rei Davi e todas as outras ao Ungido como
esperado pelo povo de Israel. Novamente a referência ao rei
Davi é um claro indicativo que o "ungido do Senhor" era
alguém passível de cometer erros, de sofrer críticas e, no
caso específico de Davi, de sofrer graves conseqüências por
pecados cometidos. Ver a lista completa de versículos que
trazem a expressão "teu ungido" no final deste artigo.
3. A
expressão "meu ungido", da mesma forma que as duas
anteriores, é bíblica e ocorre duas vezes no texto hebraico
do antigo testamento. As duas referências dizem respeito ao
Messias ou Ungido como esperado pelo povo de Israel. Ver a
lista completa de versículos que trazem a expressão "meu
ungido" no final deste artigo.
4. Por sua
vez, a expressão "seu ungido", ocorre onze vezes no texto
hebraico do Antigo Testamento e uma única vez no texto grego
do Novo Testamento. Estas onze referências estão assim
distribuídas:
" 5 vezes
fazem referência ao Ungido como o esperado Messias de
Israel.
" 3 vezes fazem menção a Saul.
" 1 vez diz respeito à Eliabe, irmão de Davi.
" 2 vezes a citação é referente ao rei Davi.
" 1 vez ao imperador dos Medos, Ciro.
Desta
maneira fica fácil notar que quando não se refere ao Ungido
que representa o Senhor Jesus, os textos falam de homens que
foram tão pecadores como qualquer um de nós. A unção para
ser rei sobre o povo de Israel, conferida a Saul e a Davi,
não era nenhuma garantia de que aqueles homens estavam
imunes do poder do pecado, ou que não poderiam ser
criticados e que estariam completamente isentos da
disciplina de Deus. Ver a lista completa de versículos que
trazem a expressão "seu ungido" no final deste artigo.
5. Por fim
restam as duas referências que trazem de forma explícita a
expressão "não toqueis nos meus ungidos". Estas referências
são:
1 Crônicas
16:22 dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis
os meus profetas.
Salmos
105:15 dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis
os meus profetas.
Antes de
analisarmos estes versículos é necessário dizer que os
mesmos são idênticos e isto por um bom motivo. O verso de 1
Crônicas é parte de uma compilação de Salmos que se estende
do verso 7 até o verso 36 do capítulo 16 de 1 Crônicas. Esta
compilação contém partes dos salmos 96, 105 e 106.
Conforme
dissemos, os dois versículos são idênticos, portanto, a
interpretação de um servirá como interpretação para o outro
também. A questão mais importante para nós, neste momento, é
definir acerca de quem o salmista está falando? Quem são os
ungidos do Senhor? O contexto deixa isto bem claro, e por
ele nós podemos ter certeza absoluta quem são as pessoas a
quem o Senhor se refere como sendo os "ungidos do Senhor" e
de "meus profetas". Salmos 105:8 - 15 diz o seguinte:
8 Lembra-se
perpetuamente da sua aliança, da palavra que empenhou para
mil gerações;
9 a aliança que fez com Abraão e do juramento que fez a
Isaque;
10 o qual confirmou a Jacó por decreto e a Israel por
aliança perpétua,
11 dizendo: Dar-te-ei a terra de Canaã como quinhão da vossa
herança.
12 Então, eram eles em pequeno número, pouquíssimos e
forasteiros nela;
13 andavam de nação em nação, de um reino para outro reino.
14 A ninguém permitiu que os oprimisse; antes, por amor
deles, repreendeu a reis,
15 dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os
meus profetas.
O texto é
absolutamente cristalino. Aqueles que são chamados de
"ungidos do Senhor" e de "meus profetas" são os descendentes
de Abraão, Isaque e Jacó. São os Israelitas. Todos e cada um
deles. Ninguém que pertença verdadeiramente ao povo de
Israel é deixado de fora.
Portanto,
como dissemos, o mito de que os pastores constituem-se em os
"ungidos do Senhor", como uma casta distinta e superior a
todos os crentes, não passa realmente de uma invencionice
perversa cujo único propósito é munir homens perversos com
mecanismos que os possibilitem abusar de suas ovelhas.
Precisamos retornar, de maneira urgente, ao padrão bíblico
do pastor-servo à imitação do próprio Senhor Jesus.
B. O
Ensino do Novo Testamento Acerca de Termos Sido Ungidos por
Deus
O Novo
Testamento ensina exatamente a mesma coisa que é ensinada no
Antigo Testamento. Todos os que pertencem ao Povo de Deus
foram ungidos pelo próprio Deus. Todos os crentes
verdadeiros, sem exceção recebem uma e rigorosamente a mesma
unção. Não existem cristãos mais ungidos que outros
cristãos. E, definitivamente, não existem "ministérios
ungidos" e muito menos esta figura preconizada por falsos
mestres, como Benny Hinn, de que é possível possuir "uma
unção" específica, distinta da única unção disponível a
todos os cristãos.
O texto de
2 Coríntios 1:21 - 22 diz: "Mas aquele que nos confirma
convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou
e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração". Estes dois
versos ensinam claramente que só existe uma unção e que
todos os cristãos são participantes desta unção, pois o
repartir da mesma é um ato do próprio Deus.
Quando
Paulo diz que Deus nos ungiu, ele está dizendo que todos nós
que somos genuinamente cristãos, fomos ungidos diretamente
pelo próprio Deus. Nas tradições judaicas era costumeiro a
unção de reis, profetas e sacerdotes quando do início do
exercício das suas funções. Isto pode ser observado em
Êxodos 28:41 e 40:15 com relação aos sacerdotes; em 1 Reis
9:16 e Isaías 61:1 com relação aos profetas e em 1 Samuel
10:1;15:1; 2 Samuel 2:4 e 1 Reis 1:34 com relação aos reis
de Israel. A palavra "ungido" é também usada para se
referir, de modo todo especial, ao Senhor Jesus que é
chamado de: Ungido (português) = Cristo (grego) = Messias
(hebraico). Jesus é o ungido por excelência de Deus já que
Ele possui um triplo serviço como Rei, Profeta e Sacerdote.
A expressão ungido também é usada para se referir a todos os
crentes e indica que os mesmos são consagrados ou separados
para o serviço de Deus pelo Espírito Santo. É por causa
desta separação ou consagração, que somos chamados e
considerados santos por Deus. O apóstolo João disse em 1
João 2:20: "E vós possuis unção que vem do Santo e todos
tendes conhecimento". A conseqüência desta unção na vida de
todos os cristão pode ser vista em alguns versículos mais
adiante, no mesmo texto, quando João diz:
"Quanto a
vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e
não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a
sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é
verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela
vos ensinou. Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para
que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não
nos afastemos envergonhados na sua vinda. Se sabeis que ele
é justo, reconhecei também que todo aquele que pratica a
justiça é nascido dele. - 1 João 2:27 - 29".
Assim temos
que existe somente uma unção, que todos os crentes receberam
esta mesma unção e que Deus mesmo é aquele que nos unge. Não
devemos, portanto, ter medo de desmascarar a qualquer um que
pretenda ser possuidor de algum tipo especial de unção.
Unção especial só existe uma: é aquela com Deus mesmo ungiu
a todos os crentes, sem exceção! Qualquer outra invencionice
não passa de pretensão e orgulho humano querendo aparecer.
C.
Métodos e Normas que são Geralmente Utilizados por Pastores
Abusadores
O autor
deseja advertir novamente aos leitores de que o material a
seguir contém informações que podem não ser agradáveis à
grande maioria das pessoas.
Pastores
que abusam dos seus rebanhos seguem, normalmente, uma série
comum de métodos e normas, visando estabelecer seu poder,
domínio e controle absoluto sobre o povo de Deus. Entres
estes métodos e normas podemos destacar as seguintes como
sendo as mais comuns:
1. Pastores
abusadores são extremamente defensivos quanto aos seus
feudos particulares e tendem a agir de uma forma que é
sempre abusiva quando se trata de defender seus próprios
interesses. Os interesses pessoais de pastores abusadores
estão, sempre, acima de quaisquer outros interesses. Não
existe nenhum tipo de consideração cristã que possa intervir
quando o que está em jogo for o interesse pessoal de algum
pastor abusador. Em poucas palavras podemos dizer que para
defender seus interesses vale-tudo para pastores abusadores.
2. Uma das
características mais marcantes deste vale-tudo mencionado no
item 1 acima, é a tendência constante de usar e abusar de
passagens bíblicas, dentre as quais a favorita é: "Não
toqueis nos meus ungidos". Pastores abusadores aprendem, de
forma bastante rápida, a manipular a Bíblia visando alcançar
seus mais inconfessáveis propósitos.
3. Pastores abusadores, porque possuem uma visão distorcida
de si mesmos, literalmente adoram serem exaltados e tratados
com toda a honra, toda a deferência e toda a pompa e
circunstância, que, em suas mentes doentias, imaginam o
"ungido do Senhor" merece.
4. Pastores
abusadores são todos aqueles que acham que os termos usados
no Novo Testamento para descrevê-los, termos como pastores,
presbíteros e bispos, são realmente títulos e indicadores de
posição. Nas suas pequeninas cabeças imaginam que os
"títulos" que possuem os habilitam a dominar, governar e até
reinar sobre o povo de Deus. A estes homens falta um mínimo
de inteligência para entenderem que os termos usados no Novo
Testamento são meros descritores de função e não possuem
nenhum tipo de conotação hierárquica ou de posição ou nível.
Todos os crentes, sem exceção, estão "EM CRISTO". Esta é a
posição de todos os crentes: estamos todos "em Cristo".
Pastores estão "em Cristo", da mesma maneira que as ovelhas
estão "em Cristo". Não existe nenhuma diferença posicional
entre os crentes. O que existe são funções diferentes. E a
função daqueles encarregados de cuidar do rebanho de Deus é
descrita como a de alguém que cuida de ovelhas (pastor);
como de alguém que possui maturidade espiritual para
ensinar, admoestar e exortar (presbítero) e como alguém que
possui a função de supervisionar o rebanho de Deus (bispo).
Como pode ser facilmente percebido as três palavras, pastor,
presbítero e bispo, são meras descritoras das funções que
precisam ser executadas e não fazem nenhuma referência a
algum tipo de hierarquia que deva existir na Igreja dos
Ungidos do Senhor! Os termos que o Novo Testamento usa de
pastor, presbítero e bispo não descrevem ofícios e sim as
funções que precisam ser desempenhadas por aqueles chamados
para cuidar do povo de Deus.
5. Pastores
abusadores gostam de reprovar de forma pública e privada a
todos que consideram desobedientes e insubmissos. Esta
desobediência e insubmissão não têm nada a ver com a Bíblia
ou com a sã doutrina e sim com a vontade pessoal do pastor
abusador. As reprovações privadas tendem a ser bastante
desagradáveis, pois os abusadores sabem que dificilmente
alguém irá acreditar nas palavras de alguém que está
rotulado de insubmisso ou desobediente. Esta situação
permite aos pastores abusadores usar os termos que bem
quiserem nestas conversas, fazer as alegações que bem
entenderem por mais estapafúrdias que sejam, levantar graves
acusações por mais levianas que sejam e tirar as conclusões
que lhes forem as mais convenientes. É praticamente
impossível sobreviver em um ambiente tão hostil. Mas há
muitos que continuam tentando. Somente a eternidade irá
revelar a verdadeira dramaticidade destas conversas
perversas e funestas.
6.
Intimamente associado à reprovação pública está o desprezo
público ou o isolamento de certos membros. Pastores
abusadores fazem questão de deixar bem claro quem são as
pessoas que não estão lhes agradando, e por este motivo
precisam ser tratadas da maneira mais fria possível. Irmãos
fracos, ao verem o pastor colocar alguém "na geladeira",
seguem o mesmo mau exemplo e também passam a tratar o ferido
da mesma maneira. Esta é uma das situações mais
insuportáveis dentro de uma comunhão que se intitula cristã.
Quando um pastor que deveria realmente estar cuidando da
ovelha ferida, vira o rosto e age como se a ovelha não
existisse, está cometendo um dos atos mais cruéis que podem
ser praticados.
7. Pastores
abusadores adoram subir nos púlpitos e disparar contra
aqueles que consideram seus desafetos. Este é sem dúvida um
dos piores atos que um pastor pode praticar: usar o tempo
que deveria ser gasto para edificar o povo de Deus para
resolver diferenças pessoais, muitas vezes com uma pessoa
somente. Pastores abusadores sabem que o púlpito é
prerrogativa exclusiva deles ou de quem eles convidam,
portanto, sentem-se à vontade para maltratar as pessoas a
partir daquela posição vantajosa. Quando sobem ao púlpito
para agredir a quem quer que seja, os pastores abusadores
demonstram apenas que são grandes covardes e como tais são
dignos de uma coisa somente: desprezo absoluto.
8. Se a
igreja possuir algum tipo de boletim o mesmo será usado por
pastores abusadores para destilar triplamente o mais
perverso tipo de veneno do qual se tem notícia. Este tipo de
veneno intoxica a todos nos igreja. Ninguém que saiba ler
fica imune desta contaminação verdadeiramente maligna.
9. Ameaças
de toda sorte são também parte do arsenal comum a todos os
pastores abusadores. Ameaças que vão desde o simples
afastamento de algum ministério, chegando até à excomunhão
ou expulsão que é o termo favorito dos abusadores neste
quesito. Da pretensa, mas real, posição de autoridade, o
pastor abusador se sente perfeitamente confortável para
atazanar a vida de suas ovelhas com todos os tipos de
ameaças, com algumas chegando a beirar a imoralidade.
10.
Pastores abusadores costumam ensinar suas ovelhas que toda
insubordinação e desobediência é pecado grave e que este
tipo de pecado é digno das mais severas e pesados formas de
disciplina. Desta maneira, a igreja está plenamente
doutrinada e quando algo acontece todo mundo concorda com a
violência praticada. Este é realmente um ciclo vicioso muito
difícil de romper.
11. Outra
característica bastante marcante entre pastores abusadores é
a adoção de dois pesos e duas medidas como norma para o
dia-a-dia. Este tipo de prática é tão comum, tratar uma
mesma situação de duas maneiras diferentes, que a vasta
maioria dos crentes dos dias de hoje já não reage a este
estado de coisas. Preferem pensar que as coisas são assim
mesmo. Que não adianta lutar. Que é bobagem se indispor. O
autor entende todos estes argumentos, mas não pode deixar de
chamar de covardes a todos que observam este tipo de prática
e não se manifestam pela justiça e pela verdade! A motivação
para o uso de dois pesos e duas medidas está completamente
dependente àquilo que for o interesse do pastor abusador.
São seus interesses pessoais e não a justiça e a verdade que
interessam.
12.
Pastores abusivos gostam de ensinar suas ovelhas idéias que
possam causar falsos sentimentos de culpa. Estes
sentimentos, por sua vez, só podem ser aliviados mediante um
curvar-se, quase imoral, diante da vontade do pastor ou, se
a pessoa tiver condições, de polpudas contribuições. Os que
não possuem dinheiro acabam por trabalhar como verdadeiros
escravos para o pastor, sua esposa e filhos. Fazem de tudo:
reforma e pintura de casas, cozinham, lavam, passam, cuidam
do jardim, das crianças, fazem faxina, limpeza pesada, lavam
carros, servem como motoristas e vai por aí afora. Pastores
abusivos sabem que uma mente bem manipulada por falsa culpa
é capaz de produzir muitas e muitas coisas.
13.
Abusadores gostam de criar panelas e grupelhos de todos os
tipos dentro das igrejas. A alguns eles estendem a mão e
chamam estas pessoas de "amigos pessoais". Este tipo de
"amizade" vai muito além daquilo que dispensam aos outros
irmãos da igreja. O resultado disto é que aqueles que são
atraídos para dentro deste círculo íntimo compartilham o
"poder" com o "chefe" e isto os faz leais até à morte, mesmo
diante das maiores imoralidades que se possa ter notícia.
Outros são privilegiados com posições "honradas" e destaques
especiais naqueles ministérios que são considerados os mais
"nobres". Quanta hipocrisia é possível existir dentro de uma
igreja é realmente difícil de se aferir. Mas os abusadores
adoram tudo isto e se divertem enquanto seguem impunes. Mas
o SENHOR vê tudo e certamente haverá um severo ajuste de
contas na hora apropriada.
14. Uma das
formas mais medonhas de abuso espiritual é aquilo que
podemos chamar de esoterismo. Esta é a prática mediante a
qual a verdadeira natureza dos ensinamentos, da agenda que
está sendo seguida e das práticas que são adotadas é
revelada somente para os mais "chegados" ou àqueles que
progridem, de forma verdadeira, dentro do movimento a que
pertencem. O autor tem tido a oportunidade de observar
inúmeras denominações, algumas históricas inclusive, onde o
verdadeiro propósito e agenda é sustentar e manter a boa
vida da classe sacerdotal ou dominante. Milhares e milhares
de "formiguinhas" trabalham como escravos e contribuem para
que um pequeno grupo tenha tudo do bom e do melhor. No dia
em que estes verdadeiros "escravos" do século XXI acordarem,
e se derem conta de que não precisam dos "faraós", este será
um verdadeiro dia de glória.
15. Amor
condicional é outro método favorito dos pastores abusadores.
Só recebem amor aqueles que se enquadram perfeitamente
dentro da vontade absoluta do abusador. Todos os outros são
tratados com desdém e desprezo visível até por quem está
apenas visitando o trabalho.
16.
Abusadores exigem que qualquer pessoa que queira progredir
na hierarquia que comandam, precisa, acima de tudo, ser um
excelente modelo quando o assunto é contribuição. Posições
de liderança são rigorosamente reservadas a pessoas que
podem contribuir mais financeiramente.
Diante
desta lista, verdadeiramente abominável, chega a ser
ridículo perguntarmos por que as igrejas vão mal e estão tão
enfermas. A resposta não precisa ser buscada na existência
de demônios territoriais, inimigos da cruz nem em "irmãos
insubmissos". A resposta para muitos dos males que existem
na igreja moderna passa pela qualidade da liderança
existente. Passa pela triste constatação de que os
abusadores não estão preocupados com o Povo de Deus e sim
com seus próprios interesses. Se desejamos uma nova Reforma,
a mesma precisa começar, necessariamente, pela remoção de
líderes abusadores e sua substituição por verdadeiros
líderes que sejam pastores-servos a serviço do Povo de Deus.
Conclusão:
Creio que
chegou a hora de praticarmos uma verdadeira defenestração,
espiritual é claro, arrancando as máscaras dos pretensos
"ungidos do Senhor"; virando as costas e dando adeus aos
"faraós modernos" e abandonando por completo aqueles que se
especializaram em, abusar de todos nós. O autor não tem
nenhuma dúvida que a vasta maioria dos problemas que
enfrentamos na Igreja do século XXI, está diretamente
relacionada às lideranças canhestras que se encastelaram nas
posições de liderança das igrejas de todas as denominações,
o que lhes permite manter, com mão de ferro, o absoluto
controle sobre o Povo de Deus. Precisamos, urgentemente,
pedir que Deus suscite uma nova geração de pastores que
possuam genuínos corações de servos. Corações que estejam
realmente no servir o povo de Deus e não em serem servidos.
E, por favor, vamos aprender de uma vez por todas, que
igrejas e ministérios multimilionários, não servem realmente
aos propósitos de Deus de levar o evangelho a todas as
pessoas deste mundo.
O Que
Fazer?
O autor
gostaria de agradecer a um leitor que me escreveu e sugeriu
que eu procurasse oferecer algumas alternativas práticas às
graves situações que costumo discutir em meus artigos.
Então, atendendo à sugestão recebida, aqui vão algumas
atitudes práticas para se livrar de situações de abuso
espiritual.
Caso o
leitor esteja vivendo uma situação como as descritas neste
trabalho, o autor gostaria de sugerir alguns passos práticos
para ajudá-lo a se livrar deste emaranhado de coisas:
1. Saiba
que nada que será dito a seguir é fácil de ser colocado em
prática devido a todos os mecanismos de dominação e controle
que existem e que estão disponíveis aos pastores e igrejas
abusadoras. Todavia, vale à pena tentar.
2. Em
primeiro lugar você precisa entender como verdade bíblica,
que não existem pastores que sejam "ungidos do Senhor" de
uma forma especial. Precisa entender que você, a simples
ovelha, recebeu de Deus mesmo, uma unção que é exatamente
igual a que um pastor recebeu. Portanto não se sinta
intimidado nem amedrontado diante das ameaças. Pastores são
tão mortais quanto todos nós, mesmo que gostem de pensar de
si mesmos mais do que convém - ver Romanos 12:3. Discordar
de um pastor abusador pode não ser fácil, mas não trará as
conseqüências anunciadas pelo abusador e seus seguidores.
3. Depois
você precisa entender que não existe uma diferença de
posição quando se compara a um pastor. A simples ovelha e o
mais "exaltado" dos pastores estão exatamente na mesma
posição: ambos estão "em Cristo". Não existe, portanto,
nenhuma diferença na posição. Pastores não estão em posições
mais elevadas ao passo que as ovelhas estão em posições mais
inferiores. Isto não existe, é uma invenção de homens
maldosos e aproveitadores. Todos os crentes estão em uma e
mesma posição: estamos todos EM CRISTO. Ver Efésios 4:11 -
16.
4. Precisa
entender também que a mesma consideração e respeito que você
deve ao irmão-pastor é exatamente a mesma que você deve a
todos os outros irmãos. Por outro lado, os pastores devem
exatamente a mesma consideração e respeito a todos os
irmãos, sem exceção. Ver a lista de mandamentos de
reciprocidade no final deste artigo. Os mandamentos de
reciprocidade precisam ser praticados por todos os crentes,
sejam eles ovelhas, sejam pastores. Note a quantidade de
vezes que o mandamento de amor recíproco é repetido.
Lembre-se, abuso espiritual é fruto absoluto da falta do
amor de Deus na vida do abusador! Mesmo falando em nome de
Deus, pastores-abusadores não possuem o amor de Deus em seus
corações.
5. Além
disso, precisa compreender que não existe nenhuma
possibilidade de diálogo com um pastor abusador. Eles estão
irremediavelmente viciados pelo poder e pelo prazer que o
abuso provoca em suas mentes. Não perca tempo tentando
argumentar. Não adianta nada. Não vale à pena. Ouça as
palavras do Senhor com relação aos abusadores dos seus dias:
Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar
outro cego, cairão ambos no barranco - Mateus 15:14. No
terceiro estudo desta série iremos analisar o confronto de
Jesus com os abusadores de seus dias.
6. Não,
você não irá para o inferno se decidir abandonar o redil de
um pastor abusador. Ou mesmo se decidir abandonar uma igreja
abusadora. Aliás, quero recomendar que você faça exatamente
isto. Não é uma decisão fácil, mas para seu próprio bem,
quanto antes você tomar esta decisão, melhor para você.
Lembre-se, o Faraó não gostava dos judeus, mas precisava
deles! O pastor abusador não gosta de você, mas ele precisa
de você. Você não precisa de nenhum pastor abusador. De
fato, sem você não existe pastor abusador. Vire as costas e
deixe ele se virar.
7. Você
precisa estar disposto a obedecer ao Senhor e a ignorar
aqueles que, usando o nome do Senhor, desejam somente
escravizá-lo. Lembre-se, em todos os lugares onde o Espírito
do Senhor está existe verdadeira liberdade - ver 2 Coríntios
3:17. Qualquer outra situação não passa de engodo para
manter as pessoas cativas.
8.
Lembre-se também, que na grande maioria das vezes, pastores
abusadores e seus seguidores, agem de maneira completamente
irracional. Agem como verdadeiros pit-bulls, atacando sem
nenhuma justificativa plausível. Uma das maneiras mais
comuns deste tipo de irracionalidade é tratar as pessoas
como se elas não existissem. Ai! Como dói um irmão de muitos
anos, de repente, virar o rosto e fingir que você não
existe! Isto é o que eu chamo de atitude irracional. Bem,
deixe-me dizer isto bem alto: NÓS NÃO TEMOS NENHUMA
OBRIGAÇÃO DE NOS RELACIONAR COM PESSOAS IRRACIONAIS!
Portanto, não se acanhe, tome uma decisão definitiva, de
banir de sua vida, de uma vez por todas, estas pessoas que
te tratam desta maneira.
9. Não
adianta insistir. Falar, argumentar e até mesmo implorar não
surte nenhum efeito em pessoas irracionais. Tentar
convencê-los com argumentos lógicos irá apenas levar você à
exaustão. Lidar com pessoas que agem desta maneira é estar
em uma situação onde se é impossível vencer. Então, se você
não pode vencer, pra que perder tempo batalhando?
10. Faça
tudo que estiver ao teu alcance para evitar se vir
aprisionado em situações em que você não tem à mínima chance
de vencer. Fuja destas situações.
11. Procure
alguma comunhão onde você possa ter suas feridas tratadas
por um verdadeiro pastor-servo. Minha convicção é que Deus,
em Sua misericórdia, ainda tem muitos homens deste calibre,
espalhados por todos os lugares. Peça a orientação de Deus.
Dependa da força que o Senhor mesmo pode suprir. Decida
servir o Senhor livre de todos os impedimentos e tropeços
que pastores abusadores insistem em colocar no caminho dos
filhos de Deus.
Desde a
publicação da primeira parte deste material, o autor tem
recebido inúmeros e-mails com verdadeiras histórias de
horror. Histórias de manipulações perversas, de distorções
terríveis, de comportamentos inomináveis, de abusos
espirituais abomináveis. É nossa firme convicção de que o
Deus verdadeiro deseja conduzir suas ovelhas a pastos
verdejantes, às águas de verdadeiro refrigério. Talvez estes
artigos sejam usados por Deus para abrir os olhos de muitos,
para que se libertem dos duros grilhões controlados por
pastores e igrejas abusadoras.
O autor
gostaria de pedir a todos os leitores que se unam a ele, em
oração, ao Deus de toda misericórdia e Pai de todas as
consolações, para que nos envie tempos de verdadeiro
refrigério. Que o Senhor possa nos ajudar a reformar a
igreja do século XXI, começando pela urgente, urgentíssima,
reforma das nossas lideranças pastorais.
Apêndice A
Passagens Onde Ocorre a Expressão "Ungido do Senhor":
1 Samuel
24:6 e disse aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu
faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão
contra ele, pois é o ungido do SENHOR. - SAUL.
1 Samuel
26:9 Davi, porém, respondeu a Abisai: Não o mates, pois quem
haverá que estenda a mão contra o ungido do SENHOR - SAUL e
fique inocente?
1 Samuel
26:16 Não é bom isso que fizeste; tão certo como vive o
SENHOR, deveis morrer, vós que não guardastes a vosso
senhor, o ungido do SENHOR - SAUL; vede, agora, onde está a
lança do rei e a bilha da água, que tinha à sua cabeceira.
1 Samuel
26:23 Pague, porém, o SENHOR a cada um a sua justiça e a sua
lealdade; pois o SENHOR te havia entregado, hoje, nas minhas
mãos, porém eu não quis estendê-las contra o ungido do
SENHOR - SAUL.
2 Samuel
1:14 Davi lhe disse: Como não temeste estender a mão para
matares o ungido do SENHOR? - SAUL.
2 Samuel
1:16 Disse-lhe Davi: O teu sangue seja sobre a tua cabeça,
porque a tua própria boca testificou contra ti, dizendo:
Matei o ungido do SENHOR - SAUL.
2 Samuel
19:21 Então, respondeu Abisai, filho de Zeruia, e disse: Não
morreria, pois, Simei por isto, havendo amaldiçoado ao
ungido do SENHOR? - DAVI.
Lamentações
4:20 O fôlego da nossa vida, o ungido do SENHOR, foi preso
nos forjes deles; dele dizíamos: debaixo da sua sombra,
viveremos entre as nações.
Apêndice B
Passagens Onde Ocorre a Expressão "teu ungido":
Crônicas
6:42 Ah! SENHOR Deus, não repulses o teu ungido; lembra-te
das misericórdias que usaste para com Davi, teu servo.
Salmos 84:9
Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu
ungido.
Salmos
89:38 Tu, porém, o repudiaste e o rejeitaste; e te
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