Ao longo dos meus anos como ministro, tenho tido a oportunidade de conhecer
muitos ministérios, dos quais uma grande parte tem uma abordagem
“missionária”, ou seja, carregam a bandeira de levar o evangelho a outras
nações.
Porém, tenho percebido que existe uma apropriação indébita do termo missões,
pois, muitos usam essa palavra pra alavancar seus projetos pessoais. Basta
colocar que o alvo é missionário que tudo vale.
Decidi não me calar mais em relação a esse engodo “missionário” que na
verdade suga os recursos da Igreja e gera um tipo de obreiro Fast-food.(John
Dawson, 2001). Esses são obreiros que querem mudar a história de uma nação
nos atos proféticos, os quais têm seu lugar mas não são o marco definidor de
uma nação. Obreiros que vivem para escrever e promover seus projetos, os
quais não representam muita relevância na vida de uma comunidade. Já me
deparei com cada proposta que tenho até vergonha de citá-las. Mas tudo isso
tem uma fundamentação: “Missões”.
Não suporto mais ver pessoas desafiando a igreja para as nações e ao mesmo
tempo saber que geralmente essas mesmas pessoas não estão dispostas a serem
resposta do seu próprio apelo. Acho isso uma crueldade com a noiva de
Cristo, pois geralmente, essas pessoas exercem influência sobre centenas de
milhares de pessoas das quais, umas foram chamadas para as nações e vão se
posicionar, outras não foram chamadas mas foram constrangidas pelo apelo, e
outros ainda irão se sentir culpados por não terem coragem de responder a
esse clamor.
Creio que nunca podemos perder o alvo missionário. A Igreja foi chamada pra
levar as boas novas de Cristo a todos os povos da terra. Mas isso não deve
ser feito pelo “emocionalismo”, mas sim através do preparo sistemático de
obreiros que tenham sua vida aprovada na comunidade local, visto que, é na
localidade que somos forjados pois não ficamos escondidos atrás de eventos,
que chamados mirabolantes. Na localidade somos confrontados em nosso
caráter, motivações, temores, e também, é lá que se encontra a possibilidade
de nossa cura e aprovação diante de Deus.
Caso você sinta um chamado missionário então é hora de aprofundar sua vida
no conhecimento do Senhor, na sua palavra, nos seus estatutos. Você terá que
aprender o que é servir, e servir sem esperar nada em troca. Procure seus
líderes e disponha sua vida na localidade. Não tema a restrição dos homens
pois quem intentará contra a vontade soberana de Deus? E por favor, não use
desse chamado pra auto-promoção. Missões não é marketing, mas um desafio
árduo. Isso mesmo. Não trate o assunto no romantismo, mas trate com
realismo.
Meu desejo é que a obra missionária feita a partir do Brasil seja sólida e
abrangente e que realmente o fruto desse trabalho seja para glória Dele, e
somente Dele.