A sinagoga era a casa de
adoração dos judeus. Era um prédio ou um lugar usado pelos judeus para se
encontrar, estudar e orar.
AS ORIGENS E A HISTÓRIA PRIMITIVA
Não sabemos exatamente como ou quando a sinagoga começou. O templo onde os
judeus adoravam em Jerusalém foi destruído pelos babilônios em 586 A.C. O
povo que permaneceu na cidade e em volta dela ainda precisava se encontrar
para adorar. Eles queriam continuar ensinando a lei e a mensagem dos
profetas. Os judeus de outros lugares tinham necessidades parecidas.
As sinagogas devem ter tido a sua origem em tal situação. Em Neemias 8:1-8 a
comunidade de exilados se juntou em Jerusalém. Esdras, o escriba, trouxe a
lei, a leu de um púlpito de madeira e deu a interpretação para que o povo
entendesse a leitura. Quando Esdras abençoou o Senhor, o povo abaixou suas
cabeças e adorou. Esses se tornaram os elementos básicos da adoração na
sinagoga.
A primeira evidência clara de uma sinagoga vem do Egito no século 3 A.C.
AS SINAGOGAS NA ÉPOCA DO NOVO TESTAMENTO
As escrituras dão a impressão de muitas sinagogas existentes na Palestina.
Jesus freqüentemente ensinava em sinagogas (veja Mateus 4:23; Mateus 9:35),
especialmente durante o seu ministério galileu. Em João 18:20, Jesus falou
em seu julgamento diante do sumo sacerdote: "Eu tenho falado abertamente ao
mundo; eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se
congregam," (RSV). O livro de Atos se refere a sinagogas em Jerusalém (Atos
6:9), Damasco (Atos 9:2), Chipre (Atos 13:5), Antioquia (Atos 13:14; 14:1),
Macedônia e Grécia (Atos 17:1, 10, 17; 18:4) e Éfeso (Atos 19:8)
A ADORAÇÃO NA SINAGOGA
Os evangelhos e o livro de Atos geralmente falam da reunião do povo judeu no
sábado para adorar na sinagoga. As pessoas também se encontravam para adorar
no segundo e no quinto dia da semana. O culto na sinagoga começava com a
confissão da fé recitando Deuteronômio 6:4-9, 11:13-21 e Números 15:37-41,
seguido de oração e leitura das escrituras. A leitura da lei era básica
(veja Atos 15:21) e era feita de acordo com um ciclo de três anos. Os
profetas também eram lidos, mas mais casualmente. Ai vinham as
interpretações. Conforme o conhecimento do hebraico bíblico foi diminuindo
na Palestina, uma tradução em aramaico das escrituras era lida depois da
leitura em hebraico. Depois disso um discurso era dado. Qualquer um que
fosse qualificado poderia falar ao povo, como fazia Jesus e o apóstolo
Paulo. O culto terminava com uma benção.
FUNÇÕES JUDICIAIS
O trabalho da sinagoga também incluía a administração da justiça. Aqueles
que infringiam a lei ou que eram acusados de atos contrários a lei judaica
eram trazidos diante dos anciãos da sinagoga. Eles podiam, em circunstâncias
extremas, excluir o ofensor da sinagoga (veja João 9:22, 34-35; 12:42) ou
mandar que ele fosse açoitado. Jesus avisou os seus discípulos para estarem
preparados para enfrentar qualquer uma das duas situações (Mateus 10:17;
João 16:2). Saul, como perseguidor dos cristãos, enviou cartas endereçadas a
sinagoga de Damasco. Foi-lhe dada autorização para prender cristãos e
trazê-los de volta a Jerusalém (Atos 9:2).
O ENSINAMENTO DA LEI
A leitura da lei era o significado central de adoração. Os ensinamentos da
lei, especialmente para crianças, era intimamente associada com a sinagoga.
ORGANIZAÇÃO
O Novo Testamento se refere (Marcos 5:22, Lucas 13:14; Atos 18:8, 17) a dois
cargos em particular na sinagoga. O "governador da sinagoga" que era
responsável pela ordem e pela seleção do leitor da escritura. Um atendente
(Lucas 4:20) tirava e guardava os rolos da escritura. Mais tarde uma pessoa
foi escolhida como líder de oração.