Autor
A carta parece ser do apóstolo Pedro, e não há evidências de que a
autoria de Pedro tenha alguma vez sido desafiada na igreja primitiva.
Silvano, que acompanho Paulo em segunda viagem missionária provavelmente
tenha sido secretário de Pedro na composição de 1 Pe (5.12), o que talvez
explique o estilo polido do grego da carta.
Ocasião e Data
Pedro se dirige aos cristãos que vivem em várias partes da Ásia Menor,
os quais estão sofrendo rejeição no mundo devido à sua obediência a Cristo
(4.1-4, 12-16). Ele, portanto, relembra-os de que têm uma herança celeste
(1.3-5)
Pedro soube das tentações deles e, portanto, refere-se a eles como
“estrangeiros dispersos” (1.1), uma frase que lembra o exílio de Israel no
AT, mas também apropriada para estes cristãos (1.17; 2.11). Eles são, em sua
maioria gentios convertidos. Em um momento eles não eram povo (2.10). Sua
antiga vida era de obscenidades, bebedeira e idolatria (4.3), que descrevia
mais os pagãos gentios do que os judeus do Séc. I . Os compatriotas deles
estão surpresos por eles agora viverem de maneira diferente (4.4). Embora
sofrer seja a “ardente prova” (4.12), aparentemente não há a vinculação do
martírio. Além do mais, a perseguição é normalmente a exceção (3.13,14;
4.16).
A tradição antiga sugere que Pedro foi martirizado em Roma junto com a
severa perseguição de Nero aos cristãos depois do incêndio de Roma em 64 dC.
Esta carta foi escrita provavelmente perto do fim da vida de Pedro, mas
enquanto ele ainda poderia dizer: “honrai ao rei” (2.17). O início dos anos
60 é uma boa estimativa para a composição de 1 Pedro.
Conteúdo
Acompanhando as várias exortações para a vida fiel em meio a uma
sociedade ímpia, a salvação prometida no evangelho também está bastante em
vista. A salvação futura que aguarda os crentes na revelação de Jesus é
especialmente proeminente no princípio da carta (1.3-13). Esta é a
“esperança” do cristão mencionada em 1.3, 13, 21; 3.15. Mesmo tendo cristo
sofrido e depois sido glorificado, os cristãos deveriam antever a glória
porvir, embora pudessem ser perseguidos pela fé nessa vida (1.6-7; 4.12-13).
A paciência em meio ao sofrimento injusto é “agradável a Deus” (2.20).
Também há um referência ao importante objetivo dos crentes de levar os
outros a Deus por meio de seus estilos de vida piedosos. Eles, portanto,
proclamam os louvores de Deus (2.9), silenciam os homens loucos realizando
boas obras (2.15); ganham esposas para Cristo por seus exemplos (3.1);
envergonham os críticos ímpios (3.15-16) e confundem antigos companheiros
(4.4). Os cristãos devem ser uma força de redenção no mundo, apesar do
sofrimento.
Cristo Revelado
Em quatro passagens separadas. Pedro liga os sofrimentos do sacrifício
de Cristo com a glória que surgiu em sua morte (1.11; 3.18; 4.13; 5.1). A
carta detalha os frutos do sofrimento e da vitória de Cristo, incluindo
provisões para uma nova vida e esperança para o futuro (1.3,18-19; 3.18). A
expectativa da volta de Cristo na glória faz com que os crentes regozijem
(1.4-7). De outras maneiras, Cristo agora também faz uma profunda diferença
na vida dos cristãos; eles o amam (1.8); eles vêm até ele (2.4); eles
oferecem “sacrifícios espirituais” através dele (2.5); eles são censurados
por causa dele (4.14); eles devem esperar se recompensados quando ele voltar
(5.4).
O Espírito Santo em Ação
O ES é ativo em todo o processo de salvação: o “Espírito de Cristo” nos
profetas no AT testificam a respeito da cruz e da glória subseqüente (1.11);
Cristo foi ressuscitado dos mortos “pelo Espírito” (3.18); os evangelistas
pregaram o evangelho pelo Espírito; os crentes responderam em obediência
através “do Espírito” (1.2,22); um antegozo da glória porvir veio através do
Espírito (comparar: 4.14 com o v. 13 e 5.1).
Esboço de 1º Pedro
Introdução 1.1-2
I. A fé e esperança dos crentes no mundo 1.3-2.10
regozijando na esperança da volta de Cristo 1.3-12
Vida Justa devido à esperança 1.13-2.3
Renovação para o povo de Deus 2.4-10
II. A conduta do crente nas circunstâncias diárias
2.11-5.11
Submissão e respeito pelos outros 2.11-3.12
Sofrimento em nome de Cristo 3.13-4.19
Servindo humildemente enquanto sofre 5.1-11
Conclusão 5.12-14
Silvano, co-autor desta carta 5.12
Saudações 5.13
Exortações finais com bênção 5.14
2ª Pedro (2Pe)
Autor:
Pedro Data: Cerca de 65—68 dC
Autor e Data
Esta carta fornece as instruções e exortação do apóstolo Pedro à medida
q eu ele se aproxima do final de sua vida (1.1,12-15).De acordo com a antiga
tradição da igreja, Pedro foi martirizado em Roma durante o governo de Nero.
Se a tradição é confiável, então sua morte ocorreu antes de 68 dC, quando
Nero morreu.
Os estudiosos conservadores normalmente sustentam que Pedro escreveu ambas
as epístola que lhe são atribuídas. As referências em 2Pe indicam a autoria
de Pedro: o autor se identifica como Simão Pedro (1.1); ele alega ter estado
com Cristo no monte da transfiguração (1.16-18); ele tinha escrito uma carta
anterior às pessoas a quem 2Pe é dirigida (3.1); e ele usa várias palavras e
frases semelhantes às encontradas em 1Pe. Esses fatores apontam Pedro como o
autor genuíno de 2 Pedro
Antecedentes
Enquanto 1Pe estimula os cristãos a encararem a oposição do mundo, 2Pe
adverte os cristão contra os falsos mestre dentro de sua comunhão que os
levaria a apostasia. A fidelidade à doutrina apostólica é a principal
preocupação (1.12-16; 3.1-2,15-16). Os mestres heréticos aparecerão (2.1-2)
e, na verdade, já estão em cena (2.12-22). Eles negam o senhor, exibem um
estilo de vida sensual e estão destinados à destruição. Eles ridicularizam a
idéia da volta do Senhor. Essas características se enquadram na heresia
gnóstica, que se desenvolveu mais completamente no séc. II, mas cujas raízes
foram fixadas no séc. I.
Pedro evidentemente tem um comunidade especifica em mente (3.15), e se essa
comunidade for a mesma referida em 1Pe 3.1, então esta carta era direcionada
aos cristão em algum lugar da Ásia Menor.
Conteúdo
A resposta ao erro é a firmeza através do crescimento no conhecimento do
Senhor, A carta começa com o tema de cultivar a maturidade cristã (1.2-11;
3.14-18). O “conhecimento” em 2Pe é mais do que percepção intelectual. È um
experiência de Deus e vê Cristo que resulta em transformação moral (1.2-3;
2.20). Esse é o verdadeiro conhecimento (gnosis) que combate a influência
gnóstica herética. A base para tal conhecimento são as Escrituras, chamadas
de “profecia” (1.19-21), e a doutrina apostólica (3.1-2,15-16).
O cap. 2 fornece uma descrição mais longa a respeito da advertência contra
os falsos mestres. Aparentemente, em algum momento eles tinha “escapado das
corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo”
(2.20).
O último capítulo enfatiza a segunda vinda de Cristo, objeto de ataque de
zombadores, e explica porque essa esperança ainda não foi realizada. Também
garante o cumprimento da promessa da volta do Senhor e ensina que sua
expectativa deveria motivar os cristãos ao comportamento piedoso.
Cristo Revelado
A divindades de Cristo é evidente na maneira como Deus e Cristo estão
aproximados ligados em 1.1-2. Deus reconhece Cristo como seu “Filho” (1.17).
O propósito e atividade divinos estão centralizados em Jesus, à medida que
sua graça e poder são concedidos aos crentes (1.2-3,8; 2.9,20; 3.18), que
devem aguardar por sua volta (1.16) e pela chegada de seu Reino eterno
(1.1).
São as Escrituras que garantem ao crente um destino com Jesus Cristo
(1.16-21; 3.1-2).
O Espírito Santo em Ação
A única referência direta ao ES está em 1.21, que descreve a obra do
Espírito em “inspirar” os autores humanos das Escrituras proféticas, o que,
por sua vez, desqualifica qualquer “interpretação privada” . Entretanto, o
Espírito está obviamente operando ao fornecer o “poder divino” que torna
possível o crescimento na graça e conhecimento de Cristo (1.2-8; 3.18)
Esboço de 2º Pedro
I. Saudação 1.1-2
II. A verdade doutrina contra a falsa 1.3-2.3
Busca de virtudes morais 1.3-11
Testamento de Pedro 1.12-15
Escrituras proféticas contra os falsos mestres 1.16-2.3
III. Exposição e julgamento dos falsos mestres 2.4-22
Destruição dos falsos mestres 2.4-10
Descrição dos falsos mestres 2.10-22
IV. Advertências contra os traidores do final dos tempos
3.1-18
Escarnecedores nos últimos dias 3.1-7
Crentes e o Dia do Senhor 3.8-18