Antecedentes
Esta carta é o apelo pessoal de Paulo a Filemom, um cristão rico e dono
de escravos. Parece que Filemom tinha se convertido sob o ministério de
Paulo (v.10), que morava em Colossos, e que a igreja colosense se reunião em
sua casa (v.2). Onésimo, um de seus escravos tinha fugido para Roma,
aparentemente depois de danificar ou roubar a propriedade do mestre (vs.
11,18). Em Roma, Onésimo entrou em contato com o preso Paulo, que o levou a
Cristo (10).
Paulo escreveu para a igreja em Colossos e evidentemente incluiu esta carta
a favor de Onésimo. Tíquico e Onésimo aparentemente entregaram as duas
cartas (Cl 4.7-9; Fm 12). O relacionamento próximo de Paulo e Filemom é
evidenciado através de suas orações mútuas (vs 4 e 22) e de uma
hospitalidade de “portas abertas” (v.22). Amor, confiança e respeito
caracterizavam a amizade deles (vs. 1, 14,21)
A escravidão era uma realidade econômica e social aceita no mundo romano. Um
escravo era propriedade de seu mestre, e não tinha direitos. De acordo com a
lei romana, os escravos fugitivos poderiam ser severamente punidos e mesmo
condenados à morte. Às revoltas dos escravos no séc. I resultaram em
proprietários temerosos e suspeitos. Mesmo a igreja Primitiva não tendo
atacado diretamente a instituição da escravidão, ela reorganizou o
relacionamento entre o mestre e o escravo. Ambos eram iguais perante Deus (Gl
3.28), e ambos eram responsáveis por seu comportamento (Ef 6.5-9).
Ocasião e Data
Paulo escreveu esta carta durante sua prisão romana por volta de 61 dC.
Ele desejava uma verdadeira reconciliação cristã entre o proprietário de
escravos lesado e o escravo perdoado. Paulo, com delicadeza, mas com
urgência, intercedeu por Onésimo e expressou total confiança de que a fé e
amor de Filemom resultariam na restauração (vs 5,21)
Características
Mesmo sendo a mais curta das epístola de Paulo, Fm é uma profunda
revelação de Cristo operando na vida de Paulo e daqueles à sua volta. O tom
é de amizade calorosa e pessoal ao invés de autoridade apostólica. Ela
revela como Paulo endereçou com educação porém firmeza o assunto central da
vida cristã, isto é, o amor através do perdão, em uma situação muito
sensível. Apresenta a persuasão de Paulo em ação.
Conteúdo
A epístola é uma expressão autêntica dos verdadeiros relacionamentos
cristãos. Depois de agradecer pessoalmente a Filemom e seus companheiros
crentes, Paulo expressa ação de graças por seu amor e fé em relação a Cristo
e a seus companheiros crentes.
O amor fraternal normalmente exige graça e misericórdia práticas, e Paulo
logo chega a esse tópico. Ele explica a conversão de Onésimo e o novo valor
do escravo no ministério e família de Jesus Cristo (12-16). Essa
transformação, junto com a profunda amizade de Paulo com os dois homens, é a
base de um novo começo.
Não se trata de um apelo superficial de Paulo, pois ele preenche um “cheque
em branco” em nome de Onésimo para quaisquer dívidas a pagar (vs 17-19). Ele
faz a petição já sabendo que o amor e caráter de Filemom prevalecerão. Como
ele conclui, as pessoas podem ver a unidade do Espírito entre todos os
santos envolvidos.
Cristo Revelado
Essa epístola aplica poderosamente a mensagem do evangelho. Antes um
escravo alienado, Onésimo agora também é um “querido Irmão” em Cristo
(v.16). Filemom é desafiado a mostrar o mesmo perdão incondicional que ele
recebeu através da graça e amor de Jesus. A oferta de Paulo em pagar uma
dúvida que não era sua em nome de um escravo arrependido é um quadro claro
da obra do Calvário. A intercessão de Paulo é, além disso, análoga à
intercessão contínua de Cristo junto ao Pai em nosso nome.
O Espírito Santo em Ação
Mesmo não mencionando especificamente o ES, foi ativo no ministério de
Paulo e na vida da igreja. È o ES que batiza todos os crentes, seja escravo
ou livre, no corpo de Cristo (1Co 12.13); e Paulo aplica essa verdade à vida
de Filemom e de Onésimo. O amor, fruto do Espírito, é evidente por toda a
carta.
Esboço de Filemom
I. Saudação 1-3
II. Ação de graças em relação a Filemom 4-7
Louvor pessoal 4
Características dignas de louvor 5-7
III. Petição de Paulo por Onésimo 8-21
Um pedido de aceitação 8-16
Um garantia de reembolso 17.19
Uma confiança na obediência 20-21
IV. Preocupações pessoais 22-25
Esperança de libertação 22
Saudações 23-24
Bênção 25
Fonte: Bíblia Plenitude
Hebreus (Hb)
Autor:
desconhecido Data: Cerca de 70 dC
Autor
Hebreus não designa seu autor, e não existe unanimidade de tradição em
relação à sua identidade. Alguns sábios destacam algumas evidências que
podem indicar uma autoria paulina, enquanto outros sugerem que um dos
colaboradores de Paulo, como Barnabé ou Apolo, podem ter escrito o livro. A
especulação provou-se infrutífera, e a melhor conclusão pode ser a de
Orígenes, no séc. III, que declarava que só Deus sabe ao certo quem o
escreveu.
Data e Localização
O conteúdo de Hb indica que foi escrito antes da destruição do Templo em
70 dC (10.11; 13.11). A única evidência em relação ao local em que o livro
foi escrito é a saudação enviada pelos “da Itália” (13.24), indicando talvez
que o autor estivessem em Roma ou escrevendo para os cristãos de Roma.
Conteúdo
Uma palavra importante da epístola é “melhor”, usada para descrever a
Cristo e os benefícios do evangelho (1.4; 7.19,22; 8.6; 9.23; 10.34;
11.16,35,40).
A maioria das bênçãos do judaísmo relacionava-se com as coisas terrenas: um
tabernáculo ou templo terreno, sacerdotes terrenos, sacrifícios terrenos, um
acordo que prometia a prosperidade terrena. Em contraste, Cristo está “à
destra da Majestade, nas alturas” (1.3), onde distribui as bênçãos celestes
(3.1; 6.4; 8.5; 11.16; 12.22-23).
Um ponto importante desta epístola é a apresentação do ministério sumo
sacerdotal do Senhor. Cristo é o sumo Sacerdote, não segundo a ordem de
Aarão, mas sim de Melquisedeque, que não tinha antecessores nem sucessores
no sacerdócio. Sendo assim, Melquisedeque era um tipo perfeito para Cristo,
que recebeu o cargo do sumo sacerdote por invocação direta de Deus, e não
por herança (5.5-6). Enquanto o sacerdote arônico tinha que oferecer
sacrifícios continuamente por seus próprios pecados, bem como pelos pecados
de outras pessoas, Cristo ofereceu de uma vez por todas sua própria pessoas
sem pecados como o sacrifício perfeito. Ele experimentou na carne a provação
que todos os crentes conhecem, e por isso ele é capaz de interceder
compassivamente em nome deles.
O cap. 11 enumera alguns dos grandes heróis da fé no AT. Os vs 4-35
registram bênçãos maravilhosas e notáveis vitórias alcançadas através da fé,
enquanto os vs. 36-38 registram aqueles que resistiram a grandes provas,
sofrimento e perseguição através da fé. Significativamente, não há menção
dos pecados e defeitos daqueles enumerados. O motivo óbvio é que o sangue de
Jesus tinha riscado os pecados e fracassos, de modo que suas iniqüidades não
são mais lembradas contra eles.
Cristo Revelado
Falar de Cristo em Hb é descrever o livro inteiro. Ao tentar manter seus
leitores distantes da apostasia, o escritor enfatiza a superioridade de
Cristo perante tudo que o aconteceu antes no período do AT. Como nenhum
outro livro da Bíblia, Hb salienta a importância e o ministério do Cristo
pré-encarnado.
O Espírito Santo em Ação
O ministério do ES é visto de diversas maneiras, aplicando-se tanto ao
período do AT quanto do NT: Os dons do ES para o ministério (2.4);
testemunho à inspiração do AT (3.7; 10.15); descrição da experiência dos
crentes (6.4); interpretação da verdade espiritual (9.8); assistência no
ministério de Jesus (9.14); insultado pela apostasia (10.29).
Esboço de Hebreus
I. A superioridade da pessoa de Jesus 1.1-4.13
Jesus: Melhor do que os profetas 1.1-3
Jesus: Melhor do que os anjos 1.4-2.18
Jesus: Melhor do que Moisés 3.1-19
Jesus: Melhor do que Josué 4.1-13
II. A Superioridade do Ministério de Jesus 4.4-10.8
Jesus: Melhor do que Arão 4.14-5.10
O Sacerdócio de Melquisedeque, portanto Jesus, melhor do que o de Arão
7.1-8.5
Jesus é mediador de uma melhor aliança 8.6-10.18
III. A superioridade da caminhada da fé 10.19-13.35
Um chamado à segurança total da fé 10.19-11.40
A persistência da fé 12.1-29
Admoestações sobre o amor 13.1-17
Conclusão 13.18-25
Fonte:
Bíblia Plenitude
Tiago (Tg)
Autor:
Tiago, irmão de Jesus Data: Cerca de 48-62 dC
Autor
O autor identifica-se somente como Tiago. O nome era bastante comum; e o
NT enumera pelo menos cinco homens com este nome, dois dos quais eram
discípulos de Jesus e um era seu irmão. A tradição atribui o livro ao irmão
do Senhor, e não há motivos para questionamentos. Evidentemente, o escritor
era bastante conhecido, e Tiago, o irmão de Jesus, logo tornou-se líder da
igreja em Jerusalém (At 12.17; 15.13-21; 21.18; Gl 1.19; 2.9,12). A
linguagem da carta é semelhante à da fala de Jesus em At 15. Aparentemente,
Tiago era um descrente durante o ministério de Jesus (Jo 7.3-5). Uma
aparição de Cristo a ele após sua ressurreição (1Co 15.7) provavelmente o
tenha levado a essa conversão; pois ele é enumerado com os crentes de At
1.14.
Data
O historiador Judeu Josefo indica que Tiago foi apedrejado até a morte
por volta de 62 dC; então, se ele é o autor, a carta foi escrita antes dessa
data. O conteúdo do livro sugere que pode ter sido escrita um pouco antes do
concílio da Igreja relatado em At 15, que se reunião por volta de 49 dC. Não
podemos se dogmáticos, e só se pode concluir que a carta provavelmente tenha
sido escrita entre 48 e 62 dC.
Conteúdo
Ao invés de especular ou debater sobre teorias religiosas, Tiago
direciona seus leitores para uma vida piedosa. Do Início ao fim, o tom desta
carta é imperativo. Em 108 versos, são dados 54 mandamentos evidentes, e 7
vezes Tiago chama a atenção para suas declarações usando termos de natureza
imperativa. Esse “servo de Deus” (v.1) escreve como alguém supervisionando
outros escravos. O resultado é uma declaração da ética cristã, que se iguala
a ensinamentos semelhantes no NT.
Cristo Revelado
Começando no primeiro verso e continuando por toda a carta, Tiago
reconhece a autoridade de Jesus, referindo-se como “servo”, ou escravo, do
Senhor. O termo é aplicável a todos os cristãos, pois todos os verdadeiros
discípulos de Cristo reconhecem sua soberania sobre suas vidas e se
comprometem espontaneamente a seus serviço. Cristo é o objeto de nossa fé
(2.1), aquele que cujo nome e em cujo poder realizamos nosso ministério
(5.14,15), o recompensador de todos aqueles que se mantém firmes em meio a
julgamentos (1.12), e aquele que virá, por quem pacientemente esperamos
(5.7-9). Tiago identifica Cristo como a “glória” (2.1), referindo-se ao
Shekinah, a gloriosa manifestação da presença de Deus em meio a seu
povo. Não somente glorioso por si mesmo, ele é a glória divina, a presença
de Deus na terra (Lc 2.30-32; Jo 1.14; Hb 1.3).
De considerável interesse é o paralelo próximo entre o conteúdo dessa carta
e a doutrina de Jesus, especialmente o Sermão da Montanha. Embora Tiago não
cite exatamente nenhuma declaração de Jesus, há mais reminiscências verbais
da doutrina do Senhor nesta carta do que em todo o resto das epístolas
combinadas no NT. Essas alusões indicam uma associação próxima entre Tiago e
Jesus e evidenciam a forte influência do Senhor na vida do autor.
O Espírito Santo em Ação
A carta menciona especificamente o ES somente em 4.5, onde se declara
que o Espírito que habita em nós deseja a nossa lealdade completa, não
suportando rivalidade.
A Atividade do ES pode ser vista no ministério aos doentes descritos em
5.14-16. À luz de outra terminologia bíblica que liga unção com o Espírito (
Is 61.1; Lc 4.18; 1Jo 2.20-27), o ungir com o óleo é melhor compreendido
como símbolo do ES. Além do mais, no grego, o artigo definido usado com a
palavra “fé” em 5.15 particulariza essa fé, sugerindo que Tiago está se
referindo à manifestação do dom da fé (1Co 12.9).
Esboço de Tiago
I. Saudação 1.1
II. Religião prática e julgamentos 1.2-18